Xô corporativismo!Distribuição de medicamentos deve ser normalizada em julho
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O secretário estadual da Saúde, Cláudio Xavier, garantiu, ontem em depoimento à Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, que a partir de julho o problema de atrasos na entrega de medicamentos excepcionais, de distribuição gratuita pelo programa do Sistema Único de
Saúde (SUS), estará resolvido. Junho será o último mês que o paranaense escuta que não há algum medicamento, afirmou Xavier, que enfrentou uma sabatina dos deputados, que o questionaram também sobre a falta de leitos em UTIs e pelo cumprimento da emenda constitucional 29, que prevê que o Estado aplique 12% do orçamento na área da saúde.
Ao mesmo tempo em que o secretário prestava depoimento na Assembléia, em frente ao Palácio Iguaçu, cerca de 30 pessoas, transplantados vindos de várias cidades do Estado, realizavam uma manifestação em protesto contra o atraso na entrega dos remédios. Na sala da comissão, o secretário também teve que enfrentar o protesto dos servidores da saúde, que estão tendo os salários descontados desde o mês passado após decisão do governador Roberto Requião (PMDB) de ampliar a jornada de trabalho da categoria de 30 para 40 horas semanais.
Questionado pelo presidente da comissão, Ney Leprevost (PDT), sobre a existência de uma máfia dos medicamentos, como afirmou Requião segunda-feira, Xavier não confirmou a informação. Segundo ele, todas as investigações sobre o problema dos medicamentos estão sendo feitas pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). Conforme Xavier, a Secretaria de Saúde constatou, e encaminhou à PGE indícios que mostram a incidência de maior número de ações judiciais pleiteando medicamentos em determinadas regionais de saúde, com receitas de um mesmo médico e encaminhadas por um mesmo advogado.
A existência de uma máfia nacional dos medicamentos já tinha sido levantada anteontem, pelo presidente do Conselho Nacional dos Secretários da Saúde e secretário da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, que esteve em Curitiba para prestar seu apoio a Xavier, que tem cinco pedidos de prisão contra ele por não acatar ordem judicial para entrega de medicamentos. Mais de 20% do que é gasto hoje é dinheiro jogado fora, não faz efeito nenhum, disse.
Sobre a aplicação dos recursos da saúde, Xavier afirmou que a emenda 29 ainda carece de regulamentação. Esse é outro assunto polêmico. O Ministério Público (MP) já ajuizou três ações civis públicas que juntas cobram a aplicação de R$ 1,7 bilhão que o estado deveria ter aplicado na área.
Esse é um governo sensibilizado com a questão da saúde, tanto que aumentou os recursos de R$ 200 milhões para R$ 600 milhões no ano passado, disse o secretário. Ele garantiu, também, que ainda neste ano o governo realizará concurso públcio não apenas para os novos hospitais regionais, mas também para suprir a redução do quadro de funcionários.


