Ximenes era cotista do FonteCindam
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quarta-feira, 06 de junho de 2001
Sônia Araripe Agência Estado Do Rio de Janeiro 
O ex-sócio-controlador do Banco FonteCindam, Robert Steinfeld, confirmou ontem que o ex-presidente do Banco Central (BC) e do Banco do Brasil (BB), Paulo César Ximenes, era um dos cotistas do banco, socorrido pelo BC em janeiro de 1999, na desvalorização cambial junto ao Banco Marka em uma operação que totalizou R$ 1,6 bilhão. Steinfeld apresentou cópias de extratos de Ximenes, que chegou a ter investimentos no valor de R$ 392 mil no FonteCindam, em cinco diferentes fundos de ações e de derivativos (que aplicavam em câmbio, taxas de juros e ações) desde 1996, mas era considerado, para o porte de aplicadores do banco de investimentos, um pequeno investidor.
Paulo César Ximenes falou ao Estado, pelo telefone, de Brasília, e afirmou que é um absurdo pensar que ele teve alguma participação na operação de venda de dólar do BC ao FonteCindam, porque era amigo pessoal de Luís Antônio Gonçalves, presidente do FonteCindam na época da desvalorização. Sou amigo do Luís Antônio há anos. E não é o fato de que eu era cotista que iria ou não fazer tráfico de influência. Não sou, nem nunca fui, homem disso, afirmou Ximenes.
Segundo o ex-presidente do BC e do BB, a operação de venda de dólares do FonteCindam foi uma decisão técnica da diretoria do BC e que ele não teve qualquer participação no caso.
Steinfeld, em entrevista coletiva no Rio, procurou justificar que o FonteCindam não foi socorrido pelo BC. Foi uma operação de mercado e a preço caro (sic), afirmou. Mas Steinfeld admitiu a possibilidade de que a operação de venda de dólares ao banco possa ter servido para justificar a ajuda financeira ao Marka. Sem dúvida nossa ajuda é muito mais justificável do que ao Marka, disse Steinfeld.
Na última terça-feira, durante o depoimento da diretora de fiscalização do BC, Tereza Grossi, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o senador Jefferson Perez (PDT-AM) perguntou sobre a aplicação de um ex-presidente do BC no FonteCindam. Tereza afirmou que como tinham insunuado que ela poderia ter algum dinheiro investido no FonteCindam, ela teria cruzado dados de um relatório interno e descobriu o nome de um ex-diretor do BC. Esse dirigente era Paulo César Ximenes que foi presidente do BC no governo Itamar e também comandou o Banco do Brasil.
Steinfeld defendeu Ximenes e garantiu que não houve qualquer tráfico de influência para facilitar a venda de dólares ao FonteCindam pelo BC. É uma leviandade fazer qualquer insinuação a repeito do fato dele ser cotista ou de uso de influência. Ximenes era um pequeno investidor, como qualquer outro. O que querem é fazer um jogo político, com interesse de desestabilização, afirmou Steinfeld, que pediu aos seus advogados para estudar se é possível processar quem está, segundo ele, caluniando.
Ainda segundo Steinfeld, Ximenes aplicou ao longo de três anos em cinco fundos do FonteCindam totalizando R$ 392.402 e teve um ganho líquido, em abril, quando o FonteCindam deixou de ser banco de R$ 20.005.


