Curitiba - O surgimento repentino de Pedro Henrique Xavier na cena pública paranaense pegou de surpresa os observadores mais atentos do Palácio Iguaçu. Ao contrário da maioria dos secretários nomeados por Requião, Xavier não participou do primeiro mandato do governador (1991-1994). O advogado ressalta, porém que suas relações com o governador já vem de longa data.
''Conheci o governador no início da minha carreira, poucos anos após ter me formado pela UFPR em 1975. Na época eu defendi o Maurício (Requião, hoje secretário estadual de Educação) em um processo movido pela UFPR que era basicamente uma perseguição política. Eu só não participei do primeiro governo porque na época estava cuidando de um filho meu que lutou com uma doença por três anos, e infelizmente não sobreviveu'', explica Xavier.
O advogado afirma que não recebe nada pelos serviços prestados ao governador na análise de contratos e realização de auditorias do pedágio, ou outros temas similares. ''Além de não receber, abri mão de todas as ações nas quais meu escritório trabalhava em que o Estado do Paraná figurasse como parte. Também deixei de realizar consultas para particulares sobre temas da administração pública, que poderiam eventualmente ser usados contra o governo'', afirmou.
Segundo Xavier, os únicos recursos que ele recebe do poder público vem de sua função como presidente do Conselho de Administração da Sanepar e como liquidante do Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep). O advogado credita a escolha para ser o liquidante à confiança que Requião tem nele.
O assessor utiliza um episódio para reforçar a obsessão de Requião. Juntamente com o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, Xavier foi convidado pelo governador para visitar de surpresa um educandário que pleiteava verbas da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social. ''Fizemos a visita surpresa, e constatamos que as crianças vinham recebendo bom atendimento. Ao final da visita, ele perguntou quantas crianças o educandário assistia. A coordenadora respondeu que eram pouco mais de 90. Requião então retrucou: 'Então tem gente dormindo no chão, porque eu só contei 88 camas.'', relata o advogado. ''Dá para se ter uma idéia da atenção que se deve ter com o dinheiro público para atender as decisões do governador'', completa Xavier. (R.S.)

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