Xanana Gusmão ganha as eleições no Timor
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terça-feira, 16 de abril de 2002
France Presse 
Dili, Timor LesteO herói da guerrilha do Timor Leste, Xanana Gusmão, venceu as eleições presidenciais realizadas domingo nesse pequeno território do sudeste asiático, segundo os resultados publicados ontem. O Timor terá reconhecida sua independência no mês que vem,
O chefe rebelde, de 55 anos, conseguiu 259.615 votos contra os 57.536 obtidos por seu rival, Francisco Xavier do Amaral, em doze das treze circunscrições eleitorais da ex-colônia portuguesa, anexada pela Indonésia em 1975, declarou o responsável pelas operações de votações, Carlos Valenzuela.
Após as votações sem problemas e com participação de mais de 86% do eleitorado, a recontagem dos votos foi mais rápida que o previsto. Segundo Valenzuela, não se esperava saber os resultados tão rapidamente.
A informação ainda tem de receber o aval da comissão eleitoral para ser oficial, mas é pouco provável que algo mude, devido à grande popularidade de Gusmão.
O ex-guerrilheiro, que passou mais da metade de sua vida na selva ou na prisão, presidirá a nação mais jovem do mundo no dia em que o país se tornar formalmente independente, a 20 de maio próximo, na presença do secretário-geral da ONU, Kofi Annan. A cerimônia vai encerrar quatro séculos de colonização portuguesa, 24 anos de ocupação indonésia e a administração interina das Nações Unidas desde o referendo sobre a independência de 1999.
O chamado Nelson Mandela da Ásia vai herdar porém um país ainda traumatizado pela violência e as destruições das milícias pró-indonésios que se opunham à separação do Timor Leste antes das votações sobre a autodeterminação, há dois anos e meio.
Gusmão, que pensou muito tempo antes de aceitar a participação nas eleições, apresentou-se como um independente, prometeu paz, reconciliação e democracia no Timor Leste, de 730.000 habitantes, uma das regiões mais pobres do sudeste asiático. A grande maioria dos timorenses quer sobretudo paz e melhores condições de vida.
Quando se tornar independente, o Timor, sem elite, sem indústria, terá um futuro dificil.


