Dili, Timor LesteO herói da guerrilha do Timor Leste, Xanana Gusmão, venceu as eleições presidenciais realizadas domingo nesse pequeno território do sudeste asiático, segundo os resultados publicados ontem. O Timor terá reconhecida sua independência no mês que vem,
O chefe rebelde, de 55 anos, conseguiu 259.615 votos contra os 57.536 obtidos por seu rival, Francisco Xavier do Amaral, em doze das treze circunscrições eleitorais da ex-colônia portuguesa, anexada pela Indonésia em 1975, declarou o responsável pelas operações de votações, Carlos Valenzuela.
Após as votações sem problemas e com participação de mais de 86% do eleitorado, a recontagem dos votos foi mais rápida que o previsto. Segundo Valenzuela, não se esperava saber os resultados tão rapidamente.
A informação ainda tem de receber o aval da comissão eleitoral para ser oficial, mas é pouco provável que algo mude, devido à grande popularidade de Gusmão.
O ex-guerrilheiro, que passou mais da metade de sua vida na selva ou na prisão, presidirá a nação mais jovem do mundo no dia em que o país se tornar formalmente independente, a 20 de maio próximo, na presença do secretário-geral da ONU, Kofi Annan. A cerimônia vai encerrar quatro séculos de colonização portuguesa, 24 anos de ocupação indonésia e a administração interina das Nações Unidas desde o referendo sobre a independência de 1999.
O chamado ‘‘Nelson Mandela da Ásia’’ vai herdar porém um país ainda traumatizado pela violência e as destruições das milícias pró-indonésios que se opunham à separação do Timor Leste antes das votações sobre a autodeterminação, há dois anos e meio.
Gusmão, que pensou muito tempo antes de aceitar a participação nas eleições, apresentou-se como um ‘‘independente’’, prometeu paz, reconciliação e democracia no Timor Leste, de 730.000 habitantes, uma das regiões mais pobres do sudeste asiático. A grande maioria dos timorenses quer sobretudo paz e melhores condições de vida.
Quando se tornar independente, o Timor, sem elite, sem indústria, terá um futuro dificil.

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