Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Último atoCadetes guardam o corpo de Sérgio Motta, na Assembléia Legislativa de São Paulo: emoção dos amigosO velório do ministro Sérgio Motta (Comunicações) reuniu cerca de 1.500 pessoas na Assembléia Legislativa de São Paulo, segundo cálculos da Polícia Militar. O corpo do amigo íntimo de FHC foi velado durante oito horas e enterrado no Cemitério Campo Grande, em Santo Amaro, São Paulo. A viúva do ministro, Wilma Motta, chegou ao local às 11h e estava aparentemente serena. Recebeu os cumprimentos por cerca de duas horas e depois se retirou do hall monumental da Assembléia. Ela só voltou às 15h15 acompanhada de FHC e da primeira-dama, Ruth Cardoso, para participar de um culto ecumênico em homenagem ao marido.
‘‘A Wilma está arrasada, porque perdeu o amor de sua vida. Mas ela vai superar, é uma pessoa muito forte’’, disse Lila Covas, mulher do governador Mário Covas (PSDB-SP).
A maioria dos presentes era do meio político. Foram à Assembléia ministros, governadores, senadores e deputados. Um dos mais emocionados era o ministro da Saúde, José Serra, amigo de Motta desde os tempos em que os dois militavam no movimento estudantil no final da década de 60. Serra chegou ao velório usando óculos escuros, cumprimentou Wilma, depois se dirigiu ao caixão e acariciou o rosto de Motta. Ele se esforçou para evitar o choro, mas não conteve as lágrimas e chegou a tremer o queixo.
O corpo de Motta chegou à Assembléia às 7h10, levado por um carro fúnebre, acompanhado pelo ministro Clóvis Carvalho (Casa Civil) e pela secretária-executiva do Ministério da Educação, Gilda Portugal Gouvêa. O caixão foi coberto com uma bandeira do Brasil e depois foram colocadas duas outras bandeiras ao lado: a do São Paulo Futebol Clube, time de Motta, e a do PSDB.
O ministro Sérgio Motta, 57, morreu às 23h45 de domingo, depois de 12 dias de internação no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, devido à insuficiência respiratória. Engenheiro industrial, casado, pai de três filhas, paulistano, foi um dos fundadores do PSDB e coordenador de campanha em 94 do presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem era amigo e sócio. Era o responsável, até sua internação, pelo programa de privatização da área de telefonia.
No domingo o quadro de Sérgio Motta se agravou ainda mais. Segundo boletim médico divulgado às 13h15, o ministro apresentava piora da função renal e insuficiência respiratória grave, necessitando de altas frações inspiradas de oxigênio, próximo de 100% . Cinco dias atrás, quando Motta havia apresentado uma ligeira melhora, sua capacidade pulmonar estava em 35%.
O quadro febril não cedia à medicação adotada, o que demonstrava que a infecção resistia. A situação era crítica havia dias e com poucas possibilidades de reversão. O processo inflamatório dos pulmões, na região entre os alvéolos, dificultava a difusão do oxigênio, provocando hipóxia (queda da taxa de oxigênio no sangue). (A.F.)

mockup