WhatsApp nega ter registros que possam combater fake news
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Patrícia Campos Mello Folhapress 
São Paulo - O WhatsApp negou que possa fornecer à Justiça os registros referentes a notícias falsas disseminadas durante a campanha eleitoral que possam levar aos primeiros disseminadores desse conteúdo.
"Usuários brasileiros enviam milhões de arquivos de mídia no WhatsApp, todos protegidos por criptografia de ponta a ponta", disse a empresa em nota à reportagem. "Nós não armazenamos dados que identifiquem o primeiro remetente de arquivos de mídia compartilhados no WhatsApp; fazer isso poderia minar a natureza privada do WhatsApp e criar um potencial de uso inadequado", completou.
A nota se refere a reportagem publicada pela Folha de S.Paulo na semana passada segundo a qual a Procuradoria-Geral da República recebeu, em 26 de novembro de 2018, um parecer técnico com rastreamento de algumas das principais notícias falsas disseminadas na campanha eleitoral.
Em outubro, a Folha de S.Paulo revelou que empresas estavam comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp e preparavam uma grande operação na semana anterior ao segundo turno. A prática era ilegal, pois se tratava de doação de campanha por empresas, vedada pela legislação eleitoral, e não declarada. O jornal apurou à época que cada contrato chegava a R$ 12 milhões.
O relatório, elaborado pelo especialista em telecomunicações da PUC do Rio Miguel Freitas, permitiria identificar quais foram os primeiros propagadores das mentiras que mais circularam na eleição passada. O relatório chegou a identificadores sobre o primeiro "upload" de cada vídeo ou imagem no WhatsApp.
"Se a Justiça requerer ao WhatsApp os registros que a plataforma mantém em relação a esses identificadores que nós localizamos será possível chegar ao endereço IP da pessoa que primeiro fez o upload, ou seja, identificá-la", diz Freitas, coordenador do laboratório de Pesquisa em Tecnologia de Inspeção na PUC do Rio.
Segundo o pesquisador, quando um arquivo de mídia é carregado pela primeira vez, ele produz nos servidores do WhatsApp um registro (log) que permite recuperar posteriormente a identificação do usuário que enviou esse conteúdo.


