São Paulo - A provável expulsão da senadora Heloísa Helena e dos deputados Babá, Luciana Genro e João Fontes será um erro do PT tão grande quanto foi a exclusão dos deputados Airton Soares, Bete Mendes e José Eudes, em 1985, por comparecerem ao Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves presidente. ''Tanto naquele quanto neste caso continua sendo um erro'', afirma o professor Francisco Weffort, um dos fundadores do PT, que rompeu com o partido em 1994 para assumir o Ministério da Cultura do governo Fernando Henrique, entre 1995 e 2002.
Para Weffort, que em 1985 era o secretário-geral do partido e hoje, como decano, dirige as pesquisas do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (Iepes), no Rio de Janeiro, as expulsões não são inevitáveis e nem desejáveis, porque não envolvem questões de princípios. ''É levar as coisas um pouco longe demais.''
Apesar disso, ele não acredita que a polêmica e a pressão das tendências internas do PT prejudiquem o governo Lula, que considera uma ''continuidade'' do governo FHC. Para ele, longe do projeto socialista que fez dele um dos fundadores do partido, o PT hoje é um partido ''social democrata'' com os mesmos desafios que o PSDB tinha no governo. ''É diferente do partido no qual entrei, mas não é diferente do partido do qual eu saí'', anota.
Na sua opinião, a experiência do PT no governo tem um efeito pedagógico. ''O amadurecimento virá quando o PT e a opinião pública chegarem à conclusão de que nenhum milagre é possível'', afirma. Enquanto isso, adverte, os petistas continuarão purgando no governo alguns pecados cometidos na oposição, como o da exploração de escândalos administrativos. ''O PT está pagando no governo o que fez na oposição.''

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