Leandro Donatti
De Curitiba
O deputado federal Werner Wanderer (PFL) recusou ontem o convite do governador Jaime Lerner (PFL) para assumir a Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho. Lerner ficou duas horas reunido com o deputado, tentando convencê-lo da importância da função, mas fracassou. Wanderer argumentou que ao aceitar o convite teria de abrir mão do espaço que conquistou na executiva nacional do PFL e do trabalho que desenvolve como presidente do Grupo Brasil–Alemanha no Congresso Nacional. O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, intercedeu em favor de Wanderer. Bornhausen disparou telefonema para o Palácio Iguaçu pedindo ao governador para que fosse encontrada outra fórmula, que não deslocasse o deputado.
A recusa de Wanderer abre um vácuo no processo de escolha do novo secretário. O assunto deve ter um desfecho somente na semana que vem. Até lá, a Secretaria do Trabalho continua sendo tocada pelo diretor-geral da pasta, Marcos Stamm. Lerner viaja hoje para o interior do Estado, para inauguração de obras. O governador reluta em convidar o deputado federal Ivânio Guerra (PFL), para o cargo. Ivânio era o outro nome sugerido pela bancada federal para garantir a acomodação do suplente Valdomiro Meger, o único deputado do PFL na região de Maringá. Os aliados do governador desconhecem os motivos para a resistência, visto que Ivânio é irmão do ex-ministro e prefeito de Pato Branco, Alceni Guerra, alinhadíssimo ao governo.
Meger passou o dia em Curitiba, acompanhando o desenrolar das costuras do governador. E saiu do Palácio, por volta das 17 horas, desanimado com a pendência. Meger perdeu a cadeira esta semana, com a posse de Alex Canziani como deputado. A indicação de Wanderer ou de Ivânio, como era cogitada até o momento, lhe garantiria a vaga. Com o imbróglio, a agonia continua. Lerner pretendia pôr fim à novela ontem mesmo. Acionou os secretários mais próximos para as negociações com Wanderer. A conversa começou às 15 horas. Wanderer chegou na quarta-feira da Alemanha e se deslocou de Brasília a Curitiba ontem. O deputado quis comunicar pessoalmente a sua decisão. ‘‘O governador entendeu as minhas razões’’, afirmou.
‘‘Fiquei honrado com o convite, mas não podia aceitar. Eu cheguei aonde cheguei com muito esforço’’, emendou, referindo-se aos cargos que detém na executiva do PFL e no Grupo Parlamentar Brasil–Alemanha. Neste, Wanderer atua como uma ‘ponte’ entre o Brasil e os empresários alemães. ‘‘O Paraná não pode perder esse espaço conquistado com tanta habilidade’’, justificou. Werner Wanderer disse que não pretende se envolver na escolha do novo secretário. ‘‘Cabe ao governador decidir isso’’, observou. Wanderer não comentou a pressão de sua bancada para que o governador indique um federal para o posto.
A recusa de Wanderer abre brechas para uma articulação do PPB, revelada ao prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi (PFL), no último sábado. Os pepebistas aceitam a indicação da bancada federal, mas defendem uma inversão de posições. O deputado escolhido por Lerner iria para a Secretaria de Esportes e Ney Leprevost, o atual responsável pela pasta, ficaria com a do Trabalho.

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