Waldomiro e Cachoeira se contradizem
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segunda-feira, 21 de junho de 2004
Agência Folha 
Goiânia - Em uma acareação que durou duas horas e 15 minutos ontem, em Goiânia, o ex-assessor do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz e o empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, mantiveram versões contraditórias entre si, provocando decepção nos deputados estaduais que integram a CPI da Loterj do Rio de Janeiro. Waldomiro afirmou que recebeu ''quatro ou cinco'' ligações de Cachoeira em seu gabinete no Planalto às vésperas da divulgação da fita em que aparece pedindo 1% de propina ao empresário. Porém, os dois voltaram a se contradizer: Waldomiro diz que não respondeu aos recados e o empresário afirma que Waldomiro ligou de volta.
Demonstrando impaciência por voltar aos mesmos temas já questionados pela CPI anteriormente, Waldomiro fez um mea-culpa por ter omitido, em vez de divulgar a suposta extorsão praticada por Cachoeira. ''Eu deveria ter reagido e não o fiz, me acovardei, me intimidei. Pago até hoje o ônus do meu ato'', disse.
Ao fim da acareação, o empresário de jogos demonstrou calma e disse ter ficado ''satisfeito''. ''Estou satisfeito e com a consciência tranquila.''
Ex-homem de confiança do ministro José Dirceu (Casa Civil), Waldomiro Diniz ocupou a Subchefia de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, responsável pelas negociações do governo com o Congresso, até 13 de fevereiro, quando foi divulgado vídeo em que pede 1% a Cachoeira, sobre o valor de supostas doações de campanha. O caso se transformou no principal desgaste do governo.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigaram o caso. O procurador Marcelo Serra Azul denunciou à Justiça Waldomiro em abril, suspendendo as diligências da PF. A denúncia ainda não foi acolhida pela Justiça. Encarregado de elaborar o relatório da CPI, o deputado Luiz Paulo (PSDB) antecipou que acredita em parceria entre Waldomiro e Cachoeira. ''O que falta ainda é estabelecer de fato como e o motivo que levou ao rompimento.''


