Waldomiro diz que foi chantageado por Cachoeira
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terça-feira, 13 de abril de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz acusou ontem o empresário de jogos Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, de usar a fita em que ambos aparecem discutindo propinas e contribuições de campanha em 2002 para tentar, por chantagem, influir no projeto sobre bingos que tramitava na Casa Civil. Segundo Waldomiro, Cachoeira usou no ano passado a gravação que detonou a maior crise do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para chantageá-lo pessoalmente.
Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Loterj/Rioprevidência da Assembléia Legislativa, ele disse saber do vídeo desde o início de 2003. ''Estou dizendo ao senhor (deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha, do PSDB, um dos relatores) e quero dizer ao Brasil que fui e estou sendo chantageado por esse senhor com essa fita'', disse Waldomiro, que presidiu a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) em 2001 e 2002.
Waldomiro também confirmou ter repassado dinheiro de Cachoeira para a campanha do candidato do PT ao governo do Distrito Federal em 2002, Geraldo Magela, e revelou o nome de quem recolheu a contribuição: o tesoureiro ''Paulinho''. Ele confirmou ter entregue R$ 100 mil, em cinco ou seis encontros, no Rio de Janeiro e em Brasília, mas negou ter repassado dinheiro para as campanhas de Rosinha Garotinho (PMDB) e Benedita da Silva (PT). Segundo ele, fora Cachoeira que dissera querer contribuir com campanhas políticas.
Em mais de cinco horas de depoimento, Waldomiro relatou ter sido procurado, no início de 2003, por telefone, pelo jornalista Mino Pedrosa, que presta consultoria para Cachoeira. Pedrosa teria perguntado o que tinha a dizer sobre a fita. Waldomiro contou que disse que desconhecia o fato e procurou Cachoeira, que teria dito que tinha assuntos para tratar com ele, que não lhe retornava ligações.
Depois do relato do suposto achaque em tom emocionado e com voz embargada Waldomiro disse que não denunciou nada por estar acuado. ''Talvez hoje (se tivesse reagido), Waldomiro Diniz estaria aqui como herói nacional'', disse, com ironia. Waldomiro insistiu na versão de que pediu dinheiro a Cachoeira não para si, mas para o amigo Armando Dilli, que trabalhara na Loterj e prestava serviços para o empresário. O ex-subchefe disse que Dilli, que já morreu, passava na época por dificuldades financeiras, porque não estava recebendo de Cachoeira. ''Cometi um pecado'', disse ele, referindo-se ao fato de não mencionar na fita que o dinheiro era para Dilli.
O ex-subchefe também disse ter sido indicado ao então governador Anthony Garotinho (PMDB) para representar o Rio em Brasília pelo hoje senador Cristovam Buarque (PT-DF), com quem trabalhou no governo do Distrito Federal. Depois, segundo ele, Garotinho o convidou para a presidência da Loterj. Por meio de sua assessoria, o hoje secretário de Segurança Garotinho reafirmou que a indicação para a Loterj foi do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Waldomiro também contou ter conhecido Sérgio Canozzi, que, segundo o ex-secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, teria dito que Waldomiro arrecadava pouco para a campanha na Loterj.


