Brasília - Do início do ano passado ao dia 12, quando sumiu, o ex-subchefe da Assessoria Parlamentar da Casa Civil Waldomiro Diniz comportou-se como um pessoa de muito poder. E o tinha. Era reverenciado por deputados e senadores, tratado como ministro. Ninguém conseguia uma audiência com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, sem antes conversar com ele.
Poderoso, Waldomiro era conhecido também pela discrição. Não costumava dar detalhes de sua vida pessoal e tudo que se sabe dele é posterior à sua chegada a Brasília, em 1992, quando foi um dos assessores de Dirceu na CPI de PC Farias. No último ano, era visto em todas as votações importantes, tanto no Senado quanto na Câmara.
''Eu não o conhecia, mas fiquei sabendo que para falar com o ministro Dirceu tinha de passar antes pelo Waldomiro. Por várias vezes pedi a ele para marcar uma audiência na Casa Civil, mas nunca fui atendido'', afirma o deputado Doutor Rosinha (PT-PR), um dos que, um ano e 50 dias depois da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não conseguiu sentir o gostinho de se sentar de frente a Dirceu para levar seus pleitos.
Tamanho poder não impediu Waldomiro de sofrer uma queda rápida e espetacular deu uma entrevista na quinta-feira, dia 12, para a revista Época, confessou que pediu dinheiro a um empresário ligado ao jogo do bicho e sumiu. ''Ele confessou muito fácil. Não foi preciso nem apertar'', comentou o líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP). Pouco se sabe de sua biografia. O certo é que era homem forte no Palácio do Planalto.
Waldomiro não foi somente homem de confiança de Dirceu. Embora não tenha se filiado ao PT, como insiste em dizer o presidente do partido, José Genoino, foi o principal formulador de toda a política de ataque ao governo quando os petistas eram oposição. Demitido da Caixa Econômica Federal por um corte promovido pelo então presidente Fernando Collor, em 1992 entrou para a tropa de choque da Central Única dos Trabalhadores (CUT), formada para ajudar o PT nas investigações sobre o envolvimento do ex-presidente com o empresário Paulo Cesar Farias, o PC. Foi nessa época que se aproximou de Dirceu, a quem assessorou na CPI.
O ex-assessor parlamentar era um especialista na análise de contas bancárias e cheques. Sua participação foi fundamental para as investigações da CPI que levou ao impeachment de Collor. Em seguida, Waldomiro assessorou o então deputado Luiz Gushiken hoje ministro de Comunicação de Governo, homem forte de Lula na CPI da Vasp. As análises de contas e cheques levaram a CPI a sugerir a abertura de processo contra o ex-governador Orestes Quércia por causa da privatização da companhia aérea.
Meses depois, Waldomiro ajudou o PT na CPI do Orçamento, que resultou na cassação de seis deputados, renúncia de outros quatro e processo contra mais cinco. Se alguém procurava informações com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), ouvia em resposta: ''Procure o Waldomiro.'' Depois, ele virou assessor do então governador Cristovam Buarque (PT), em Brasília, representante do escritório do governo do Rio, na gestão de Anthony Garotinho (na época, no PSB) e, posteriormente, presidente da Loterj.
Durante o ano e um mês em que serviu ao governo, se fez presente nas comissões técnicas e nos gabinetes parlamentares, sempre em contato com os deputados e senadores. Um petista que tem criticado os colegas que agora atacam Waldomiro comenta: ''Quero ver a cara de todo mundo quando o sigilo telefônico do Waldomiro for quebrado. Duvido que exista alguém aqui que não tenha feito pedidos a ele.'' J.D.

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