BRASíLIA - A CPI dos Títulos Públicos faz hoje mais uma acareação entre o ex-coordenador da dívida pública do município de São Paulo, Wagner Ramos, e diretores de bancos. Desta vez, Ramos será acareado com o sócio de Fábio Nahoum no banco Vetor, Ronaldo Ganon, e com os donos do banco Maxi-Divisa, Genival de Almeida e Galdino de Farias Alvin Neto.
Segundo o depoimento de Fábio Nahoum à CPI, foi seu sócio Ronaldo Ganon quem tomou a iniciativa de procurar Wagner Ramos para tentar convencê-lo ajudar o Vetor a operacionalizar o lançamento de letras financeiras em Pernambuco. Ramos aceitou a proposta e acabou sendo contratado pelo banco por meio da corretora Perfil.
Nahoum disse ainda que Ganon decidiu procurar Wagner Ramos porque ele era considerado ‘‘o mais entendido’’ em cálculos de precatórios. Além disso, havia se destacado no mercado financeiro por ter feito este tipo de operação para Alagoas. A CPI tentará detalhar os encontros entre Ganon - concunhado do ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia - e Wagner Ramos.
O ex-funcionário da Prefeitura de São Paulo também terá de explicar seu relacionamento com os donos do Maxi-Divisa, banco que participou do lançamento dos papéis de Alagoas. Segundo apurou a CPI, as letras financeiras do Estado foram vendidas em abril de 1996 com deságio de até 37%. A CPI estima que as operações de Alagoas causaram prejuízo de R$ 54 milhões aos cofres estaduais.
A comissão descobriu ainda que o governo alagoano patrocinou no ano passado transações de compra e venda semelhantes às feitas pela Prefeitura de São Paulo. ‘‘O Estado comprou títulos por R$ 1.053,00 e vendeu no mesmo dia por R$ 818,00’’, contou na semana passada a senadora Emília Fernandes (PTB-RS), encarregada de organizar a leitura dos disquetes repassados pelo Banco Central à comissão. Ontem foi um dia de pouco movimento na CPI porque a maioria dos integrantes permaneceu em seus Estados.

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