Wagner Ramos passa por nova acareação na CPI
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segunda-feira, 17 de março de 1997
Agência Estado 
BRASíLIA - A CPI dos Títulos Públicos faz hoje mais uma acareação entre o ex-coordenador da dívida pública do município de São Paulo, Wagner Ramos, e diretores de bancos. Desta vez, Ramos será acareado com o sócio de Fábio Nahoum no banco Vetor, Ronaldo Ganon, e com os donos do banco Maxi-Divisa, Genival de Almeida e Galdino de Farias Alvin Neto.
Segundo o depoimento de Fábio Nahoum à CPI, foi seu sócio Ronaldo Ganon quem tomou a iniciativa de procurar Wagner Ramos para tentar convencê-lo ajudar o Vetor a operacionalizar o lançamento de letras financeiras em Pernambuco. Ramos aceitou a proposta e acabou sendo contratado pelo banco por meio da corretora Perfil.
Nahoum disse ainda que Ganon decidiu procurar Wagner Ramos porque ele era considerado o mais entendido em cálculos de precatórios. Além disso, havia se destacado no mercado financeiro por ter feito este tipo de operação para Alagoas. A CPI tentará detalhar os encontros entre Ganon - concunhado do ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia - e Wagner Ramos.
O ex-funcionário da Prefeitura de São Paulo também terá de explicar seu relacionamento com os donos do Maxi-Divisa, banco que participou do lançamento dos papéis de Alagoas. Segundo apurou a CPI, as letras financeiras do Estado foram vendidas em abril de 1996 com deságio de até 37%. A CPI estima que as operações de Alagoas causaram prejuízo de R$ 54 milhões aos cofres estaduais.
A comissão descobriu ainda que o governo alagoano patrocinou no ano passado transações de compra e venda semelhantes às feitas pela Prefeitura de São Paulo. O Estado comprou títulos por R$ 1.053,00 e vendeu no mesmo dia por R$ 818,00, contou na semana passada a senadora Emília Fernandes (PTB-RS), encarregada de organizar a leitura dos disquetes repassados pelo Banco Central à comissão. Ontem foi um dia de pouco movimento na CPI porque a maioria dos integrantes permaneceu em seus Estados.


