As mulheres são a maioria das contratadas para fazer o marketing político por telefone. ‘‘A receptividade é maior’’, garante Celso Costa, da Celta System, que desenvolveu programa de computador para os candidatos. Ele diz que a recomendação é feita não só em campanhas políticas, mas em outras áreas.
O telemarketing do candidato a deputado estadual Joel Coimbra (PTB), de Maringá, reúne oito mulheres. Detalhe: na primeira fase da sondagem por telefone, todas se chamavam Renata. Agora, chamam-se Márcia. ‘‘Os nomes são fictícios para não comprometer ninguém’’, explica a coordenadora do telemarketing, Elisângela Nunes Soares.
Segundo ela, há casos em que o receptor da mensagem tem bina e ele volta a telefonar. ‘‘Houve exemplos em que a garota foi muito elogiada pela voz e a pessoa disse que ela poderia falar depois sobre o deputado. Até convite para jantar e sair algumas receberam’’, revelou. Elisângela explicou, porém, que esses casos são exceção e a equipe foi treinada para ‘‘tirar de letra’’ cantadas e convites ousados.
Segundo a coordenadora, a maioria das ligações tem boa receptividade. ‘‘De dez, só umas duas não atendem bem’’. Cada telefonista faz, em média, 300 ligações/dia. Os turnos são de seis horas e um total de 2,4 mil telefonemas/dia.
Na seleção das contratadas, Elisângela preferiu as comunicativas e expressivas. No curso de 20 horas dado por ela para preparar as telefonistas, a coordenadora ensinou que expressões negativas como ‘‘pois não’’ são proibidas. Elisângela lembra ainda que afirmativas são ‘‘excelentes’’. ‘‘Dizer perfeitamente, corretamente, é bom para elevar o ego’’, conta. O sistema dispõe ainda de um guia sobre aniversariantes. ‘‘Nós parabenizamos e as pessoas ficam superemocionadas’’, contou. (P.Z)

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