Vou sair ileso, afirma Vedoato
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sexta-feira, 18 de abril de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Reafirmando mais uma vez sua inocência nos episódios de cobrança de propina de empresários na Câmara, o vereador afastado Flávio Vedoato (PSC) saiu do depoimento prestado ontem à Justiça mandando um recado: ''Quero esclarecer aos meus eleitores que o Flávio vai sair ileso por não ter participado dessa questão.''
Hoje faz 100 dias que o então Henrique Barros (sem partido) foi preso com R$ 9,8 mil, apontados como dinheiro extorquido de empresários de Londrina, dando início a uma série de escândalos, inquéritos e medidas judiciais que parecem longe de ter fim. Foi no dia 10 de janeiro que Barros fez as denúncias que culminaram com a ação na 3 Vara Criminal contra Vedoato, os parlamentares também afastados Osvaldo Bergamin (PMDB) e Renato Araújo (PP) e o ex-vereador Orlando Bonilha (PR) - que como o pivô da crise, acabou renunciando.
Quatro deles depuseram ao juiz substituto Marcos José Vieira na semana passada. Vedoato, que estava internado com uma crise de hipertensão no Hospital do Coração, teve a oitiva remarcada para ontem. Acompanhado do advogado João Gomes Filho - que em alguns momentos ''soprava'' discretamente ''sim'' ou ''não'' ao cliente antes que este respondesse às perguntas de jornalistas - o vereador disse que estava em viagem na semana que antecedeu a prisão de Barros e que, portanto, não podia ter participado de reunião na qual teria havido distribuição de valores de propina.
''Achei muito estranho somente eu ser arrolado em ação criminal e depois cível. Com certeza, ali teve um pouco de privilégio da parte de algumas pessoas. Ontem ouvi essa fita onde o Henrique fala nome de outros colegas que não foram arrolados. A justificativa seria por eu ser presidente da Comissão de Justiça, que é a mais importante da Câmara, e espero que tenha sido isso mesmo, senão seria um tratamento desigual'', declarou.
Vedoato lembrou que, como presidente da comissão, apresentou ilegalidades e vício de iniciativa no primeiro projeto apresentado por Barros para flexibilizar a abertura de mercados municipais, que acabou rejeitado. ''Ele usou de uma manobra, colocou isso no Código de Posturas, e teve êxito na aprovação, com apenas um voto contrário. Se tivesse esquema, portanto, teria sido para 17, não apenas para 5'', afirmou, referindo-se ao projeto que beneficiou o empresário Alexandre Guimarães, uma das três supostas vítimas de concussão.
Vedoato também comentou rapidamente a declaração prestada por Barros aos promotores quando de sua prisão - e que veio à tona nesta semana, com a divulgação de gravações feitas à época - de que temia ser morto por um vereador. ''Ele exagerou um pouquinho, né?'', colocou. Sobre seu afastamento, disse que ''está bem esperançoso'' em revertê-lo e que é ''candidatíssimo'' às próximas eleições.
Os depoimentos de 16 testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público foram marcados para os dias 6 e 13 de junho. O juiz da 3 Vara Criminal não quis comentar o interrogatório de ontem.


