Voto secreto é a grande arma dos parlamentares
Brasília - A grande arma para os parlamentares que tentam fugir à cassação é o sistema de voto secreto no plenário. Se funcionar, não seria a primeira vez em que o espírito de corpo da Casa fala mais alto e garante a sobrevivência política dos acusados. Em 1994, sete deputados (Ricardo Fiúza, Ézio Teixeira, Daniel Silva, Paulo Portugal, Aníbal Teixeira, Flávio Derzi e João de Deus Antunes) e um senador (Ronaldo Aragão) foram absolvidos das acusações feitas pela CPI dos Anões do Orçamento.
Em todas as votações de perda de mandato sempre há deputados que votam para absolver seus colegas, independentemente da acusação. O ex-deputado Hildebrando Pascoal (AC), acusado de supostamente comandar esquadrão da morte no Acre, foi cassado pela Câmara, mas conseguiu que 73 deputados não votassem pela perda de seu mandato. O ex-deputado André Luiz (RJ), também acusado de supostamente ser mandante de assassinatos no Rio de Janeiro. Perdeu o mandato, mas teve 140 parlamentares contra sua cassação.
''Eu não vou votar a favor da cassação do João Paulo'', avisa o deputado Ronivon Santiago (PP-AC), ele mesmo um veterano de acusações de envolvimento em irregularidades, como a de ter vendido seu voto a favor do projeto que assegurava a possibilidade de reeleição de presidente, governador e prefeito, que fez com que renunciasse ao mandato em 1997, ou a suposta compra de votos na eleição no Acre em 2002, que ameaça hoje seu mandato.
Antes de os pedidos de cassação chegarem ao plenário terão de passar por votação do Conselho de Ética, onde o sistema de voto é aberto, o que deve garantir a aprovação dos pedidos de cassação. O pedido de cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), por exemplo, foi aprovado por unanimidade. Depois disso, porém, começa uma guerra política, muito mais dura, pela cassação no plenário. (M.M.)





