Independente da questão jurídica, a maioria dos defensores do voto nulo argumenta que a opção demonstra a insatisfação dos eleitores com os políticos e a política vigentes.
''Sempre fui contra o voto nulo, é a primeira vez que eu acho que a gente deve votar nulo. É uma desesperança com o que acontece e por falta de opção. Das outras vezes fazia uma pesquisa de todos os candidatos, histórico, projetos, mas a gente vê que no final, deu tudo na mesma. Não acho que seja o certo, mas infelizmente vou anular o meu voto porque não quero ver no poder essas pessoas'', disse a engenheira agrônoma Regina Chubaci Machado. Em uma carta publicada na Folha, no dia 27 de junho, o aeroviário aposentado Miguel Martines Moreno, de 58 anos, expôs o descrédito nos políticos. ''Já votamos em um monte de candidatos e a coisa continua. Eu particularmente não estou vendo mais opção de votar em ninguém. Vou eleger alguém para continuar do mesmo jeito? Já mudei o voto e continuou do mesmo jeito. Estou sem opção. Estou descrente realmente com o que está acontecendo no país, a impunidade'', justificou.
Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Oliveira, o movimento pelo voto nulo ''não gera maior expressão política''. ''Esse movimento está sendo encampado por algums segmentos de esquerda com uma visão mais crítica do processo e também em função da crise política e ética. Esse movimento aconteceu em várias eleições e nunca teve maiores reflexos'', afirmou.
Oliveira reconhece que os escândalos de corrupção protagonizados por políticos em todo o país ultimamente possa representar um aumento de votos nulos. ''O momento colocou um novo setor no voto nulo. Antes era o desinteressado. Hoje é o que já votou na esquerda, alguns artistas, professores, mas terá uma baixíssima representação.''
Na avaliação de Oliveira, o voto nulo não é produtivo. ''Não é um voto inteligente, não propõe nada de positivo. É niilista e negativo e até de uma ingenuidade muito grande'', analisou. (C.O.)

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