'Voto de suplentes em cassação motivou renúncia'
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sexta-feira, 21 de março de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
''Acalmar'' uma suposta ânsia do Ministério Público (MP) em ajuizar ações contra ele e, ao mesmo tempo, garantir um julgamento ''técnico, não mais político'' por parte da Câmara de Vereadores, onde agora o risco de cassação do mandato cede lugar ao de suspensão dos direitos políticos - com a consequente inelegibilidade - por até oito anos. Apesar desses argumentos, contudo, o advogado do ex-vereador Orlando Bonilha (PR), Ronaldo Neves, afirmou ontem à FOLHA que foi a instabilidade em relação aos votos dos quatro suplentes recém-empossados - Vera Rubbo (PSB), Fernando Nicolau (PP), João Abussafi (PPS) e, semana que vem, Rubens Canizares (PHS) - em um eventual processo de cassação o que balizou, no final da tarde de anteontem, a apresentação da carta-renúncia de cinco páginas por meio da qual Bonilha abriu mão de seu teceiro mandato.
De acordo com Neves, a defesa ainda não concluiu a estratégia no que se refere a pedir ou não a nulidade da Comissão Processante (CP) instalada no início do mês contra Bonilha, ante a denúncia por quebra de decoro parlamentar. O processo na Casa teve início após o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ter denunciado Bonilha e o então vereador Henrique Barros (sem partido, e que também renunciou), mais os vereadores Osvaldo Bergamin (PMDB), Renato Araújo (PP) e Flávio Vedoato (PSC). À exceção dos que renunciaram, os demais permanecem afastados por liminar judicial desde o último dia 7.
Para o advogado, as seis ações a que o cliente responde - três penais, de concussão, e três civis públicas de improbidade administrativa, delas originadas - e os demais procedimentos em que ele também aparece como investigado foram fatores decisivos para a renúncia, cogitada para antes mesmo da instalação da CP.
''Queremos acalmar o MP e tirar o foco do Bonilha, de modo a buscar na Câmara, também, um julgamento mais próximo do técnico possível - antes, era tudo era muito mais político'', avaliou. Por outro lado, Neves admitiu: ''Além do mais, com quatro novos vereadores mudaria a natureza do quórum do Plenário: a tendência natural é que um queira proteger o outro, e claro que o Bonilha correria riscos na votação do relatório da CP'', reconheceu. ''Acredito que os antigos vereadores, por o conhecerem, pudessem ter mais simpatia de acolher a tese da não cassação - não vejo essa perspectiva quanto aos novos''.
Neves avisou que, caso Bonilha seja intimado pelo Gaeco a depor, na próxima segunda, ''o cliente não comparecerá''. Anteontem, ele era esperado pelo delegado Alan Flore - que preside o inquérito sobre suposto pagamento de propina a vereadores, por parte do empresário Marcelo Caldarelli, em 2005, pela doação de um terreno às margens do Lago Igapó 1 -, mas não foi. ''Vamos dicutir essa questão toda no fórum apropriado, que é o Judiciário. De nada adianta ele falar ao MP: as vezes em que foi, as denúncias contra ele já estavam prontas.''
E o que a sociedade pode esperar de Bonilha, uma vez que ele já anunciou que não concorre no pleito de outubro? Delação, por ora, não está nos planos. Mas também não está descartada. ''Acusam o Bonilha de chefiar um bando como se ele fosse o chefe de tudo. Se existem coisas malfeitas, ele não tem o poder de decidir sozinho - são várias etapas para culminar com uma lei publicada. Onde está a improbidade de um homem só, se o produto é um produto de conjunto? Se há desonestidade, tem que ser conjunta.''


