Voto de Scaff pela privatização pode levá-lo à comissão de ética
Belo Scaff: vereador alega que seguiu orientação do comando nacional do partidoO voto do vereador Beto Scaff (PSDB) a favor da privatização da Sercomtel S/A Telecomunicações, contrário à orientação da liderança do partido na Câmara de Vereadores de Londrina será um dos principais temas da reunião do diretório municipal do partido amanhã, no hotel Bourbon. O líder do PSDB na Câmara, Tercílio Turini, irá relatar o caso aos membros do diretório, que decidirão se levam ou não a análise à comissão de ética. Como líder, fiz o pedido e ele votou contra a nossa orientação, disse Turini.
A atitude de Scaff e de outros vereadores que pertenciam ao bloco de oposição do prefeito Antonio Belinati (PDT) no Legislativo, mas que legitimaram o projeto do Executivo de privatizar a Companhia de Comunicações, causou reações na Câmara. Para Turini, o grupo, que reunia dez dos 21 vereadores, não existe mais. O grupo se desfez quando os companheiros cederam à pressão do Executivo. É irreversível. Não existe mais grupo, lamenta o tucano.
Turini diz sentir-se como um lutador de boxe que acorda do nocaute. Para aprovar a privatização da Sercomtel, a prefeitura precisava de 14 votos porque a matéria tratava da destinação de bens municipais e exigia o chamado quórum qualificado. O Executivo, que tradicionalmente tem 11 votos na Câmara, não conseguiu apenas três, mas cinco votos da bancada de oposição. O placar da votação da última quinta-feira foi 16 votos a favor do projeto e cinco contra.
Eles traíram o grupo, desabafou a vereadora Elza Correia (sem partido). Ela estava muito irritada com o resultado da votação e também acha difícil juntar os cacos do que sobrou do bloco. Nós apostávamos que eles votariam conosco, diz Elza, decepcionada. Além de Scaff, votaram a favor da privatização os vereadores de oposição Carlos Santa Rosa (PFL), Adalberto Pereira (PFL), Célio Guergoletto (PMDB) e Osvaldo Bergamin (PMDB).
Para Elza Correia, houve pressão do Executivo. O assessor jurídico da prefeitura ficou plantado nessa Casa nos últimos dias, cochichando com os colegas. Não sou otária, acusa. O Procurador Jurídico da prefeitura, foi procurado pelo Folha mas não retornou as ligações.
Célio Guergoletto e Santa Rosa negam pressão. Votamos com a consciência, garantem. Guergoletto acha que os ânimos estão exaltados e que a situação irá se acalmar.
A vereadora está exaltada e o vereador, nervoso, tenta contemporizar Beto Scaff, referindo-se a Elza e a Tercílio. Scaff diz ter votado a favor da privatização por seguir a linha nacional de seu partido. O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso lidera o programa nacional de privatizações, argumenta. Ele alega que colocou o peso da decisão nacional acima da orientação local. Tentamos resguardar os direitos da população, tanto que votei a favor da emenda do Tercílio, mas ela foi rejeitada. Agora o jeito é aumentar a fiscalização sobre o Executivo. A emenda a que ele se refere condicionava os gastos da privatização à aprovação da Câmara.
Scaff reconhece, porém, que não será fácil ampliar a fiscalização dos atos do Executivo, que não tem respondido os pedidos de informação dos vereadores nem atendido às solicitações deles. Eu só espero que esse bloco continue a existir porque ele tem sido primordial na discussão de questões importantes, apela.
Santa Rosa, que havia registrado sua abstenção na primeira votação do projeto e mudou de idéia, alega ter consultado as bases.





