Voto de Carli é visto como o pivô da crise
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quinta-feira, 06 de fevereiro de 1997
Sucursal de Curitiba 
Deputados sondados pela Folha informam que o pivô da investida do ministro Sérgio Motta contra o governador do Paraná, Jaime Lerner, teria origem na postura adotada pelo deputado Fernando Ribas Carli (PDT), que não votou pela reeleição. Carli participou da tentativa de obstrução da sessão. A falta de empenho de Lerner em mudar a posição do deputado Ricardo Barros (PFL), que votou contra a reeleição, teria sido a gota dágua.
Em contrapartida às dificuldades de Lerner em atuar nos bastidores em favor da reeleição, o ex-governador Álvaro Dias e o ex-prefeito de Campo Mourão Rubens Bueno (ambos do PSDB) foram felizes em todos os movimentos pela aprovação da emenda. A Dias é atribuída a atração de três deputados para o PSDB e a Bueno a mobilização que levou cerca de 100 prefeitos do Paraná a Brasília para engrossar o coro pró-reeleição.
Nas críticas de Motta à postura política de Lerner denota-se uma identidade de discurso com Álvaro Dias, de quem o ministro se aproximou muito durante o período pré-votação da reeleição.
O deputado Abelardo Lupion (PFL) diz que ele mesmo foi mensageiro de autoridades de Brasília para que Lerner entrasse em campo para convencer Carli a votar a favor.
Em telefonemas trocados com o vice-presidente Marco Maciel e com o embaixador Jorge Bornhausen, Lerner garantiu que tentaria fazer com que o PDT não fechasse questão sobre a obstrução, o que acabou não conseguindo. Diante da decisão, o governador devolveu os telefonemas, alegando que não poderia demover Carli, que se votasse a favor seria expulso do PDT.
Os deputados consultados não confirmam se houve troca de telefonemas também entre Lerner e o presidente Fernando Henrique com quem, até prova em contrário, o governador do Paraná mantém boas relações. (M.T.)


