Votar pelo aborto é votar contra a vida
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terça-feira, 01 de setembro de 1998
Patrícia Zanin 
Quem defendeu o aborto deve ser apresentado como candidato contrário à vida. A afirmação é do secretário-executivo da regional do Paraná da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Carlos Alberto Chiquim. Segundo ele, esta é apenas uma das orientações que a regional está fazendo através de sua Escola de Formação Fé e Política para as eleições de outubro. São orientações gerais para as dioceses, para que o povo vote coerentemente, disse Chiquim.
O secretário-executivo informou que, ao contrário das regionais da CNBB em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia, a do Paraná não pretende lançar cartilha para auxiliar na conscientização do voto. Mas as recomendações gerais estão sendo feitas através da Escola de Formação e das dioceses.
Entre elas a de que o eleitor vote em quem realmente conhece, observando seu passado e suas atividades como parlamentar. É preciso valorizar os candidatos que lutam pela vida, pelos pobres, pelos interesses éticos e morais. Que ponham a honestidade como ponto essencial e a defesa da pessoa humana como valor central, defendeu.
O secretário-executivo da CNBB/Paraná disse também que o eleitor não se deve deixar levar pela aparência. Não dá para observar só o físico. Tem que verificar sua prática política, se ele cumpriu o que prometeu e se tem propostas concretas a apresentar para a sociedade, orientou.
Chiquim lembra que, apesar de muita gente não se interessar pela política, o momento é importantíssimo para a vida da nação. O voto deve ser encarado como uma arma. Do voto depende a justa distribuição de renda, a melhoria na qualidade de vida da população, argumenta.
O combate à corrupção eleitoral, alvo de um projeto de lei de iniciativa popular que a CNBB tenta ingressar no Congresso, também deve ser motivo de análise para o eleitor, lembra Chiquim. Ele não deve se iludir por aqueles que tentam corrompê-lo, trocando o voto por dentadura, cadeira de rodas, cesta básica, afirmou. A CNBB quer coletar 1 milhão de assinaturas para apresentar o projeto de lei ao Congresso e coibir a corrupção eleitoral. No Paraná, a expectativa é recolher 70 mil assinaturas.
Os interessados em assinar a proposta devem procurar as dioceses. De acordo com Chiquim, são 17 dioceses no Paraná que reúnem 680 paróquias. O secretário da CNBB disse que todas as dioceses estão empenhadas em organizar grupos para a coleta de assinaturas. Os conselhos diocesanos de leigos, a Pastoral da Juventude e os órgãos comunidades eclesiais de base estão desenvolvendo um grande mutirão. É o anseio do povo que tenhamos representantes mais qualificados, afirmou.


