Curitiba - Depois de um período de calmaria, os deputados estaduais que dão sustentação ao governo Roberto Requião (PMDB) preparam-se para enfrentar votações espinhosas na Assembléia Legislativa. As batalhas no plenário começam na sessão de hoje, quando está prevista a votação do veto de Requião à emenda à Lei do Orçamento que prevê o pagamento da reposição das perdas da inflação do funcionalismo estadual a partir de junho. Diversos sindicatos e associações representantes dos servidores marcaram mobilizações para hoje para tentar convencer os deputados a derrubarem o veto.
A emenda prevê que o governo utilize o superávit da arrecadação para repor as perdas com a inflação acumulada no período, direito dos servidores previsto em lei mas pouco cumprido pela administração pública em todas as esferas. A votação, que promete ser tumultuada, deve trazer desgaste ao governo. ''Vai ser complicado. Mas a questão é que não adianta nada derrubar o veto se não tiver dinheiro para conceder o reajuste. Se tivesse dinheiro em caixa, o reajuste já tinha sido dado'', afirmou o deputado Alexandre Khury.
Para contrapor a negativa do reajuste para todo o funcionalismo, o governo tem uma carta na manga: um projeto de reajuste do salários dos professores das universidades estaduais. Ontem, Requião se reuniu com os deputados do PMDB e líderes de outros partidos para apresentar a proposta de reajuste dos professores. Segundo Khury, a idéia inicial é que o reajuste não seja linear para todos os docentes.
A votação do veto hoje servirá de termômetro para outra votação controversa: a proposta de autarquização da Emater. Ontem, o procurador-geral do Estado Sérgio Botto de Lacerda foi ao plenário tentar convencer os deputados da validade do projeto, que enfrenta resistência principalmente dos deputados com base eleitoral no interior e dos ligados ao funcionalismo público.
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Durval Amaral (PFL) apresentou um parecer do advogado administrativista Romeu Bacellar Filho que afirma que a autarquização da Emater seria inconstitucional. Bacellar Filho destaca que para que a autarquização ocorresse, os 1.200 funcionários da Emater teriam que ser demitidos, o que geraria um impacto orçamentário não previsto pelo governo.

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