Arquivo FolhaMea culpaGama (esq.) e Moreira Franco: ‘‘O governo perdeu a batalha de comunicação da reforma administrativa’’BRASíLIA - O governo reinicia hoje a votação da reforma administrativa na Câmara dos Deputados, sem nenhuma segurança dos votos necessários para manter a quebra da estabilidade e outros pontos mais polêmicos do relatório do deputado Moreira Franco (PMDB-RJ). ‘‘O governo perdeu essa batalha de comunicação da reforma administrativa’’, admitiu ontem o líder do governo, deputado Benito Gama (PFL-BA). ‘‘Se tivéssemos vendido bem que a quebra da estabilidade é boa para o País não estaríamos enfrentando agora essa guerra aqui’’, avaliou.
Mesmo sem apoio certo de sua base parlamentar, o presidente Fernando Henrique Cardoso orientou seus auxiliares a não perder mais tempo e votar o mais rápido possível os destaques e emendas que restam à reforma. ‘‘Agora vai tudo no voto’’, afirmou Benito Gama. A liderança do governo conta com a presença de 400 deputados da base governista nesta terça-feira em Brasília. Na última votação, quando o governo foi derrotado na proposta de criação do emprego público, 31 parlamentaers da base nem compareceram ao plenário para votar. ‘‘Nosso controle mostra que teremos no máximo sete ausentes’’, previu o líder.
O governo depende de 308 votos para manter o texto de Moreira Franco. Os líderes do PSDB, PFL, PTB, PMDB e PPB estão prometendo ao governo até 336 votos em seu favor. Mas somente hoje este cálculo será pormenorizado, quando todos os líderes aliados se reunirem com o ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, e o líder Benito Gama, num café da manhã oferecido pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), em sua residência.
No café da manhã, os aliados vão decidir o número final de destaques e emendas da base governista que deverão prevalecer. A idéia é reduzir os 14 destaques (os Destaques de Votação em Separado) e as quase 50 emendas ao número máximo de 14 votações, para que o primeiro turno da emenda seja concluído até quinta-feira.
As dificuldades enfrentadas pelo governo para evitar novas derrotas na reforma administrativa passam pelo desentendimento com a bancada do PMDB. O líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA), reclamava ontem da cobrança do governo em cima de seu partido, que negou 38 votos na votação do destaque do emprego público. ‘‘O PSDB, que tem o presidente da República e todos os lugares de destaque no governo, poderia ter lhe dado essa vitória’’, disse Lima. Na votação da derrota, o governo perdeu o apoio de 22 tucanos. Líderes governistas esperavam resolver hoje o impasse dos ministérios do PMDB para facilitar a votação da reforma.

mockup