Votação recomeça e preocupa governo
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segunda-feira, 05 de maio de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaMea culpaGama (esq.) e Moreira Franco: O governo perdeu a batalha de comunicação da reforma administrativaBRASíLIA - O governo reinicia hoje a votação da reforma administrativa na Câmara dos Deputados, sem nenhuma segurança dos votos necessários para manter a quebra da estabilidade e outros pontos mais polêmicos do relatório do deputado Moreira Franco (PMDB-RJ). O governo perdeu essa batalha de comunicação da reforma administrativa, admitiu ontem o líder do governo, deputado Benito Gama (PFL-BA). Se tivéssemos vendido bem que a quebra da estabilidade é boa para o País não estaríamos enfrentando agora essa guerra aqui, avaliou.
Mesmo sem apoio certo de sua base parlamentar, o presidente Fernando Henrique Cardoso orientou seus auxiliares a não perder mais tempo e votar o mais rápido possível os destaques e emendas que restam à reforma. Agora vai tudo no voto, afirmou Benito Gama. A liderança do governo conta com a presença de 400 deputados da base governista nesta terça-feira em Brasília. Na última votação, quando o governo foi derrotado na proposta de criação do emprego público, 31 parlamentaers da base nem compareceram ao plenário para votar. Nosso controle mostra que teremos no máximo sete ausentes, previu o líder.
O governo depende de 308 votos para manter o texto de Moreira Franco. Os líderes do PSDB, PFL, PTB, PMDB e PPB estão prometendo ao governo até 336 votos em seu favor. Mas somente hoje este cálculo será pormenorizado, quando todos os líderes aliados se reunirem com o ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, e o líder Benito Gama, num café da manhã oferecido pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), em sua residência.
No café da manhã, os aliados vão decidir o número final de destaques e emendas da base governista que deverão prevalecer. A idéia é reduzir os 14 destaques (os Destaques de Votação em Separado) e as quase 50 emendas ao número máximo de 14 votações, para que o primeiro turno da emenda seja concluído até quinta-feira.
As dificuldades enfrentadas pelo governo para evitar novas derrotas na reforma administrativa passam pelo desentendimento com a bancada do PMDB. O líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA), reclamava ontem da cobrança do governo em cima de seu partido, que negou 38 votos na votação do destaque do emprego público. O PSDB, que tem o presidente da República e todos os lugares de destaque no governo, poderia ter lhe dado essa vitória, disse Lima. Na votação da derrota, o governo perdeu o apoio de 22 tucanos. Líderes governistas esperavam resolver hoje o impasse dos ministérios do PMDB para facilitar a votação da reforma.


