Votação que aplicou derrota a Moro abre crise no centrão
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sexta-feira, 24 de maio de 2019
Folhapress 

Brasília - A votação da emenda que retira o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) das mãos do ministro da Justiça, Sergio Moro, abriu uma crise no centrão, o conjunto de siglas coordenadas hoje pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Apesar de o grupo ter fechado acordo para derrotar Moro, o PSD de Gilberto Kassab votou em peso a favor do ministro de Bolsonaro - foram 30 votos a favor de manter o órgão na Justiça contra apenas 1 favorável à migração para a pasta da Economia, objetivo do centrão.
Moro acabou derrotado por estreita margem - 228 votos a 210 - na sessão realizada na noite dessa quarta-feira (22). Os líderes do centrão esperavam uma vitória mais expressiva e dizem que o PSD rompeu o acordo em cima da hora. Com isso, começaram logo depois da sessão a discutir possíveis retaliações, como a retirada de funções de relevo das mãos do partido, entre elas a relatoria do Orçamento de 2020, hoje a cargo do deputado Domingos Neto (PSD-CE). Não há consenso, porém, sobre se essas ameças serão levadas a cabo. O centrão é formado por legendas como o PP, PL, PTB, DEM, PSD e PRB. Juntas, têm mais de 200 dos 513 deputados.
Apesar de não serem um bloco formal, têm agido de forma conjunta, sob o comando de Maia, sendo responsáveis por várias derrotas aplicadas ao governo de Jair Bolsonaro, que tem tido uma relação conflituosa com o Legislativo desde que tomou posse. A reportagem conversou com vários integrantes do centrão, inclusive parlamentares do PSD, tendo ouvido algumas versões para a atitude tomada pelo partido de forma quase unânime na noite de quarta. Uma delas é a de que a legenda busca se dissociar do centrão, que tem grande desgaste na opinião pública por ter integrantes envolvidos nas investigações da Lava Jato e por ter a imagem ligada a um modo de fazer política calcado no chamado toma lá, dá cá.
Outra versão dá conta de que o partido de Kassab, ex-prefeito de São Paulo e ministro nas gestões Dilma Rousseff (2011-2016) e Michel Temer (2016-2018), buscou ficar ao lado de Moro para evitar desgaste público - há campanha nas redes segundo a qual só os corruptos querem tirar o Coaf de Moro - e por temer retaliações por parte do ministro da Justiça, a quem a Polícia Federal está subordinada. A reportagem entrou em contato com o líder do PSD na Câmara, André de Paula (PE), mas não obteve resposta até a conclusão desta reportagem.
SENADO
O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), disse que os senadores vão manter a Receita Federal com autorização para investigar crimes não tributários. A restrição que proibia auditores de compartilharem informações com outros órgãos sem autorização judicial foi derrubada pela Câmara nessa quinta-feira (23). "Fica do jeito que a Câmara votou", declarou.
A MP 870, que reestruturou a organização do governo, deverá ser votada pelo Senado na próxima terça-feira (28). "Vai ser terça (a votação), nenhuma (chance de caducar). A MP vai ser aprovada", comentou Bezerra. A limitação que proibia auditores fiscais de investigarem crimes não tributários havia sido incluída no relatório de Bezerra quando a medida provisória passou pela comissão mista de deputados e senadores.
O senador afirmou que o governo vai continuar defendendo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com o Ministério da Justiça, apesar de a Câmara ter deliberado a volta do órgão ao Ministério da Economia. As maiores bancadas do Senado, porém, devem manter o texto aprovado pelos deputados. "Nós vamos defender o Coaf como o ministro Moro, mas isso depende de uma decisão do plenário do Senado", declarou o líder do governo. (Com Agência Estado)


