Com bem menos da metade dos votos para presidente apurados e a reeleição em primeiro turno por um triz, o comitê eleitoral do candidato Fernando Henrique Cardoso teve de rever suas projeções, conter a euforia e prever uma vitória mais apertada. Avaliação do comitê, ontem à tarde, era que o presidente seria reeleito com 53% a 54% dos votos válidos, que pode representar cerca de 3 milhões de votos a menos do esperado. Nessa previsão, a vantagem final poderá ficar abaixo da votação alcançada por Fernando Henrique em 1994.
O que era para ser uma vitória avalassadora transformou-se num apuro para assessores de campanha, pelo menos nas primeiras horas de apuração, e manteve o presidente recolhido no Palácio da Alvorada durante todo o dia. Às 3h35 da madrugada de ontem, quando se encerrou a apuração das urnas eletrônicas, Fernando Henrique garantia reeleição no primeiro turno por uma diferença menor que dois décimos percentuais. Tinha 50,18% dos votos válidos, o que levou o comitê de campanha a prever, à tarde, que o candidato sairá vitorioso com uma provável diferença de 6% dos demais candidatos, somados os votos válidos dos adversários.
Para o coordenador de pesquisas da campanha tucana, Antônio Lavareda, Fernando Henrique poderá levar entre 38 milhões e 39 milhões de votos. Na noite de domingo, o comando da campanha ainda insistia que Fernando Henrique chegaria a 56% dos votos válidos, representando uma vantagem de 12% sobre os demais, ou cerca de 41 milhões de votos. Na semana da véspera, a expectativa ainda era mais otimista.
A explicação do comitê de campanha é que Fernando Henrique foi muito prejudicado pela abstenção. ‘‘A abstenção já nos preocupava já algum tempo’’, afirmou Antônio Lavareda, relatando que, às vésperas da eleição, pesquisas mostravam que 75% dos eleitores tinham convicção de que o presidente ganharia no primeiro turno. ‘‘Isso, de certa forma, leva a um desestímulo do eleitor para votar, já que a reeleição estaria garantida’’, afirmou.

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