Votação em 1º turno acaba em pancadaria
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de junho de 1998
Leandro Donatti 
Terminou em pancadaria, ontem, a votação da mensagem do governo do Estado que pede autorização da Assembléia Legislativa para firmar acordo com o Banco Central e privatizar o Banestado no prazo de um ano. Minutos depois da aprovação da medida em primeira discussão, seguranças da Assembléia e manifestantes contrários à mensagem do governo, que lotavam as galerias da Casa, entraram em confronto. O tumulto durou cerca de 20 minutos. Os seguranças agrediram diversos sindicalistas e funcionários do banco.
O coordenador da Unidade de Luta, movimento ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Ivandenir Pereira, foi um dos atingidos. Ele foi arrastado pelos cabelos cerca de 20 metros por um dos seguranças. Carlos Alberto Maia, do movimento sindical do PC do B, levou socos e se feriu. A situação fugiu do controle da mesa executiva da Assembléia. O diretor geral, Abib Miguel, tentou conter os seguranças, mas foi inútil. Quero bater, quero bater, gritava um deles. Florisvaldo Rosinha Fier, do PT, foi o primeiro deputado a chegar às galerias, onde a troca de agressões começou.
Dr. Rosinha teve dificuldades para conter os funcionários, que também estavam alterados e revoltados. Fora, Jaime Lerner, fora, Jaime Lerner, gritavam pelos corredores. Durante o processo de votação - que não durou mais de cinco minutos -, deputados da base governista foram acusados de bandidos e vendidos. Mesmo diante dos ataques, 35 parlamentares votaram a favor da privatização e 16 foram contra. Augustinho Zucchi e Irondi Pugliesi, do PPB, e Sâmis da Silva, do PMDB, surpreenderam na hora da votação. Os três, que emprestam apoio diário ao Executivo, somaram-se à oposição.
Eduardo Trevisan (PFL), Geraldo Cartário (PFL), Nelson Turek (PFL), Neivo Beraldin (PPB), Edno Guimarães (PFL) e Marquinhos Alves (PTB) votaram pela privatização. Ao sinal do protesto dos manifestantes, protegeram-se na sala de taquigrafia, com medo de reação mais efetiva.
O clima na Assembléia era tenso já no início da tarde. A presidente da Federação dos Bancários (Fetec), Marisa Stédile, e a representante dos funcionários no Conselho do banco, Zinara de Andrade, foram barradas e impedidas de circular pelo comitê de imprensa da Casa. Numa provocação ao presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), funcionários afixaram uma faixa no meio das galerias com declaração sua feita em outubro do ano passado: O Banestado não será privatizado enquanto eu for presidente da Assembléia Legislativa.
Restabelecida a ordem, Khury deu entrevista e avisou que hoje estará autorizada somente a entrada de sindicalistas e funcionários do Banestado credenciados. Os deputados pretendem liquidar a matéria ainda esta tarde. Mesmo que a oposição apresente emendas ao acordo apresentado pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, a intenção da mesa executiva é aprovar a privatização em segunda e terceira discussões para, no início da noite, encaminhar a lei para sanção do governador Jaime Lerner (PFL). Os seguranças não estão despreparados. Quem demonstrou despreparo foram os manifestantes. Violência gera violência, reagiu Khury.
Em dezembro do ano passado, os deputados ficaram acuados depois da manifestação organizada por professores da rede estadual contrários à criação da Paranaeducação, empresa que ajudará no gerenciamento da Educação no Estado. Alguns parlamentares foram atingidos por ovos e moedas, vindos das galerias.Kraw PenasQuebra-pauFuncionários do Banestado protestam contra privatização: votação relâmpago é marcada por tumulto entre seguranças e sindicalistasSeguranças da Assembléia e sindicalistas brigam. Projeto é votado - e aprovado - em apenas cinco minutos


