Curitiba – A votação em segundo turno do reajuste para os servidores está suspensa até a próxima semana e, dependendo do andar da carruagem, pode ficar somente para o mês de julho. O imbróglio foi instalado na Assembleia Legislativa (AL) devido à emenda apresentada pela oposição na sessão da última segunda-feira. Com a manobra adotada pela bancada oposicionista, começam a surgir questionamentos dentro da Casa.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, na reunião de ontem, um parecer rejeitando a emenda por oito votos a quatro, mas os deputados contrários ao Executivo devem recorrer da decisão. A avaliação é de que o recurso também seja negado na próxima reunião da CCJ, o que deve levar a discussão para o plenário da Casa. E, aí, é que se encontram mais problemas. No plenário, todos os parlamentares serão obrigados a se posicionar a respeito do pedido de reajuste integral de 8,17%, o pode deixar boa parte dos deputados constrangida em votar contra a emenda e ser rotulada como "inimiga" dos servidores.
"Temos que aguardar o posicionamento da oposição e também temos prazos regimentais a serem cumpridos. Portanto, não posso colocar na pauta a mensagem enquanto não tiver convicção de que não haverá recursos. Se ocorrer a apresentação de recursos, seguindo em trâmite normal, a mensagem deve ser votada somente no mês de julho", indicou o presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB).
Tal possibilidade deixa a base aliada de cabelos em pé porque já não teria tanta folga para conseguir aprovar o reajuste. Além disso, isso significa mais tempo para os professores universitários, que ainda estão em greve, pressionarem os parlamentares a aprovar a emenda. Além dos seis votos já garantidos dos oposicionistas, caso o recurso que defende a emenda de reajuste de 8,17% realmente chegue para ser avaliado no plenário, este número pode aumentar consideravelmente.
Segundo a reportagem apurou, pelo menos mais 16 parlamentares podem se posicionar favoravelmente pelo pedido protocolado pela oposição. "Se vier este recurso para plenário, fundamentado na questão dos 8,17%, a probabilidade de ter uma unidade neste ponto é grande. Vamos discutir e diria de a possibilidade de votar a favor do recurso é grande", afirmou Tercílio Turini (PPS), líder da bancada independente na AL.

OPOSIÇÃO X BASE


"Nosso interesse é que a matéria seja discutida em plenário. Defendo que nosso projeto é constitucional, existem recursos do governo para pagar os 8,17%. A receita aumentou de janeiro a maio em 12%", afirmou Péricles de Mello (PT). Ainda segundo o deputado, o governo aumentou em 40% o valor do IPVA, em 40% o ICMS sobre diversos produtos, passou a taxar os aposentados e se apropriou de forma indevida dos valores do Fundo Previdenciário. "Só com isso vai entrar R$ 6 bilhões para os cofres do governo. Não jogamos para a plateia, nós dialogamos com a sociedade´´, completou.
Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), líder da base aliada na AL, confirmou que a ideia era rejeitar a emenda apresentada pela oposição na CCJ e colocar a proposta na ordem do dia. "Honestamente, se pudesse, votava este projeto hoje (ontem). Temos que votar este projeto para virar esta página e seguir em frente. Lamento que estas medidas adotadas pela oposição são protelatórias e visam dificultar a votação do projeto, alongando a crise", criticou.

mockup