Votação do projeto da Copel monopoliza pauta na Assembléia
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sábado, 01 de setembro de 2001
Rosane Henn<BR>De Curitiba 
Levantamento da Folha em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostra que a votação do projeto popular que impedia a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel), como já era esperado, dominou a pauta dos trabalhos da Assembléia Legislativa no mês passado. A votação pode ser considerada como divisor de águas na composição de forças do Legislativo. Primeiro projeto do gênero, foi encaminhado à apreciação dos deputados respaldado pela assinatura de 120,9 mil paranaenses. O placar final da votação foi apertado, com apenas um voto de diferença a favor do governo. Por 27 votos a 26, o projeto foi derrubado.
O assunto extrapolou o Centro Cívico e tomou conta das ruas em todo o Estado. Cerca de 400 entidades participaram da iniciativa liderada pelo Fórum Popular Contra a Venda da Copel, que organizou manifestações, protestos, audiências públicas e encaminhou o projeto à Assembléia.
A votação foi a plenário no dia 14 de agosto, entrou madrugada adentro e foi interrompida por volta das 12 horas do dia seguinte, quando manifestantes derrubaram grades externas da Assembléia e invadiram o plenário.
A ocupação de estudantes, sindicalistas e integrantes do Fórum Popular durou 24 horas, mas terminou de forma pacífica.
A invasão fez a presidência da Casa transferir para o Plenarinho a nova sessão, que seria realizada na quinta-feira, dia 16. Ameaças de novos tumultos, entretanto, fizeram o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB) adiar a sessão para o dia 20.
Além da ação dos manifestantes, inédita na história da Assembléia, a votação do projeto da Copel também ocasionou fatos curiosos e pitorescos, e não faltou nem mesmo troca de empurrões entre parlamentares. Também foi responsável pela sessão mais longa do Legislativo, com cerca de 22 horas ininterruptas de debates. Vários deputados, conhecidos pela sua atuação discreta e tímida diante dos microfones da tribuna, discursaram à exaustão em favor do projeto. Do lado do governo, raras foram as manifestações em defesa da venda da estatal.
Na análise do presidente da Assembléia, Hermas Brandão, a discussão em torno do projeto fortaleceu o Legislativo paranaense, mas ele confessou que ''foi difícil'' conduzir o processo. Acusado pela oposição de favorecer o governo, Brandão garantiu que tentou conduzir o processo com imparcialidade. Ele admitiu desgastes políticos, mas negou que o Regimento Interno da Assembléia tenha sido desrespeitado. ''A oposição pode até brigar na Justiça e questionar as decisões, mas é preciso não esquecer que isso faz parte da democracia. No regime democrático sempre há vencedores e vencidos, faz parte do jogo'', disse.
Apesar da alegada neutralidade, o presidente da Casa deixou claro sua opção ao desempatar a votação do projeto de autoria do deputado Divanir Braz Palma (PST) que previa a prorrogação do processo de venda da Copel por 90 dias. Brandão desempatou a votação e mandou arquivar o projeto. Na votação do projeto popular, ele foi poupado do ônus de revelar publicamente seu voto, pois o regimento só prevê a manifestação do presidente da Casa em caso de empate.


