Brasília - A votação do Orçamento Geral da União de 2008 foi novamente adiada. A votação, que estava marcada para ontem, ficará para a próxima quarta-feira. ''Eu acho que vamos encontrar um bom acordo para aprovarmos o Orçamento na quarta-feira, o governo e a oposição'', disse a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA). Não houve acordo sobre a extinção do anexo de ''metas e prioridades'' incluído na peça orçamentária. ''Pode ser que inicie a semana que vem sem Orçamento. Tinha tudo para resolver hoje (ontem), mas não resolveu'', disse o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Segundo Roseana, o Congresso vai pagar ''um preço alto'' se não aprovar o Orçamento. É que o governo ameaça editar uma ''enxurrada de medidas provisórias'' - que deverão ser votadas depois pelo Congresso - para garantir a execução de projetos em execução.
Garibaldi afirmou que a proposta apresentada pelo deputado Maurício Rands (PT-PE), de distribuir os R$ 534 milhões do anexo de três formas diversas, chegou a ter apoio da maioria dos líderes - mas ainda não foi suficiente para garantir a votação. ''A proposta teve boa receptividade, mas não temos consenso'', afirmou.
Rands sugeriu que 50% dos recursos do anexo sejam distribuídos por meio do FPE (Fundo de Participação dos Estados). Outros 40% dos R$ 534 milhões seriam repassados com base na média dos últimos três anos dos valores aprovado em emendas de bancadas parlamentares.
Os últimos 10%, Rands sugere que sejam divididos pelas bancadas de acordo com o tamanho da população de cada Estado, com base em critérios definidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A proposta divide os parlamentares porque representantes de Estados menos populosos, como o Distrito Federal, temem ser prejudicados na distribuição dos recursos.
Líderes do governo e da oposição trocaram acusações sobre o adiamento da votação do Orçamento. Enquanto os governistas acusam DEM e PSDB de apresentarem novas ''demandas'' para a votação da peça orçamentária, os oposicionistas negam que tenham apresentado novas reivindicações a serem contempladas no texto do Orçamento.
A líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), disse que a oposição reivindica a ampliação dos recursos da lei Kandir no texto. ''Vamos aguardar que a oposição venha com as suas reivindicações. Cada dia existe um pleito'', criticou a senadora.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), negou qualquer novo pedido para atrasar a votação do Orçamento. ''Não é verdade, apenas pedimos que o setor agrícola não seja prejudicado e que os Estados que são ressarcidos não sejam prejudicados pela lei Kandir. Temos um pleito só que é se fazer um orçamento decente'', afirmou.
O senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado, também disse que não há nenhuma proposta que impeça a votação do Orçamento na semana que vem.

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