Votação do mínimo na Câmara será na terça
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sexta-feira, 18 de junho de 2004
Das agências 
Brasília - A Câmara dos Deputados deverá votar o substitutivo que prevê um salário mínimo de R$ 275 na próxima terça-feira. A decisão foi tomada ontem pelo presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP), após reunião com o ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política). O presidente da Câmara já começou a enviar telegramas a todos os 513 deputados para informá-los sobre a votação e convocá-los para estarem presentes.
A votação deverá ocorrer cinco dias após a derrota sofrida pelo governo no Senado, que derrubou a medida provisória que fixava o mínimo em R$ 260 e aprovou um substitutivo do PFL, com R$ 15 a mais de aumento. ''Vou mandar telegramas a todos os deputados pedindo que eles estejam aqui na terça para votar a medida provisória'', disse o petista em entrevista após o encontro com Rebelo.
Questionado sobre a possibilidade de a Câmara manter ou não o valor de R$ 275, o petista afirmou que a tendência é que os deputados retomem o mínimo de R$ 260. ''Quando a Câmara aprovou os R$ 260, fez uma opção consciente, então eu acho que a tendência é de que seja confirmado os R$ 260'', declarou João Paulo. No último dia 2, quando a MP foi votada pela Câmara, uma primeira tentativa de aumentar o valor do salário mínimo de R$ 260 para R$ 275 foi derrubada por 266 votos contra 167, e seis abstenções. A diferença pró-governo na ocasião foi de 99 votos.
Desde o início do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabe que a maioria no Senado é frágil. Se todos os partidos da base aliada votarem sempre ao lado do governo na Casa, Lula teria um total de apenas 46 dos 81 votos possíveis. Nesse cenário, o Poder Executivo perdeu duas votações importantes nos últimos 45 dias. O Executivo foi derrotado em maio na apreciação da medida provisória (MP) que regulamentava o funcionamento dos bingos no País. Outra derrota foi a rejeição da indicação do ex-deputado Luiz Alfredo Salomão (RJ) para ocupar uma diretoria na Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Nas três situações, a atuação do presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), foi decisiva para que a administração federal fosse derrotada. Nessas votações, Sarney estava aborrecido com o Poder Executivo ou não concordava com a proposta.
Líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), nunca escondeu a existência da dificuldade. Sem os votos da oposição, o governo corre riscos no Senado.


