Votação do mínimo marca festa do 1º de maio
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segunda-feira, 01 de maio de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Dia do Trabalhador foi de festa e protesto em Curitiba. A comemoração promovida pelo Comitê pela Aprovação do Salário Mínimo Regional do Paraná, que aconteceu na Praça Central da Vila Nossa Senhora da Luz, aglomerou uma multidão de mais de dez mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar. Lideranças de entidades sindicais e o governador Roberto Requião (PMDB) se mostraram afinados no mesmo discurso: a certeza de que o projeto de lei para se criar faixas salariais entre R$ 427,00 e R$ 437,80 será aprovado, amanhã, na Assembléia Legislativa.
Durante a festa, que se estendeu da manhã até a tarde de ontem, Requião disse que em véspera de eleição não acredita que ''algum deputado tenha coragem de votar contra o salário regional, porque este seria execrado pela população''. Depois de contabilizar os deputados presentes na Festa do Trabalhador, como Rafel Greca (PMDB), Mauro Moraes (PL), Hermes Fonseca (PT) e Bradock (PMDB), disse que o restante ''não apareceu provavelmente porque amarelou''. O governador, que peregrinou por todos os estandes de serviços que estavam sendo oferecidos gratuitamente à população, aproveitou para se imunizar contra a gripe. ''Para velhinho tem vacina com Viagra'', brincou.
No palco (ou seria palanque?), ele reforçou as vantagens do salário regional para o Paraná, principalmente pela promoção de um ''círculo virtuoso'' na economia das periferias e bairros mais populares. Ainda segundo Requião, o governo já beneficiou mais de 217 mil empresas matriculadas no programa de redução de impostos e que agora é a vez do povo. ''Não é possível aumentar o piso em todo o País, porque estados pobres como Piauí e Alagoas não têm condições de fazê-lo. Mas o nosso Estado pode pagar mais para os trabalhadores, que poderão ter na sua mesa mais carne e frango, e poderão pegar até um cineminha'', garantiu Requião.
''Mesmo que os empresários digam que vai criar informalidade, os cerca de R$ 66 milhões que serão injetados mensalmente no mercado vão refletir de forma positiva no meio comercial, à exemplo do que já acontece no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul'', defendeu Adilson Stuzata, presidente da Federação dos Bancários da CUT-Paraná.
O secretário-geral da Central Geral dos Trabalhadores, Carlos Zimmer, lembrou que a luta pela aprovação do projeto provocou a unidade histórica de entidades sindicais e trabalhistas. ''Isso é inédito no Paraná. A proposta é a partir de agora utilizar a união das centrais em outros focos, como a revitalização da Universidade Livre do Trabalho antiga Universidade Popular do Trabalho , além de defender interesses pontuais dos trabalhadores, como criar um fórum para atuar nessas questões'', antecipou.
A Festa do Trabalhador teve na programação um culto ecumênico, shows de pagode e serviços gratuitos para a população dentro do Ação Cooperar, realizados pelo Cohapar e Provopar. Dentre os serviços mais concorridos estavam o corte de cabelo e a retirada da carteira de trabalho e identidade, com direito a foto 3X4. Cada atendimento do Ação Cooperar custa ao Estado R$ 3,00.


