Votação da reforma fica para amanhã
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quarta-feira, 17 de dezembro de 1997
Patrícia Zanin 
Londrina
Arquivo FolhaEquilíbrioGláudio Renato de Lima, do Sindiserv: proposta menos dolorida para o funcionalismo municipalA Câmara de Vereadores de Londrina adiou para amanhã à tarde a votação em primeiro turno da polêmica reforma administrativa que estava prevista para ontem à tarde. Os vereadores reconhecem que a reforma causa controvérsias e querem mais tempo para analisá-la, em conjunto com os servidores, sindicato da categoria, secretários e até o prefeito Antonio Belinati (PDT). Uma reunião anterior à primeira discussão dos projetos está agendada para amanhã, às 9 horas, na sala da presidência da Câmara.
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Célio Guergoletto (PMDB) quer chegar a um consenso. Para nós, é uma demonstração de boa vontade dos vereadores, mas acho difícil um acordo. É provável chegarmos a uma proposta que doa menos para o servidor, avaliou o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindiserv), Gláudio Renato de Lima.
O Sindiserv mobilizou funcionários públicos e os levou para a Câmara ontem. Eles lotaram as galerias, usando adesivos com os dizeres Reforma sim. Assim, não. Apesar da participação dos servidores, muitos deles não conheciam detalhadamente as propostas da reforma. Viemos mais para marcar presença, disse o mecânico Iraci Rodrigues. Desde que eles paguem a mais, a gente aceita, acrescentou o motorista Pedro Pereira Manso, quando questionado pela reportagem sobre o aumento da jornada de seis para sete horas, previsto na reforma. O jardineiro Sebastião Almeida acha que a reforma é necessária. No entanto, ele desconhecia a existência do Plano de Exoneração Voluntária (PEV), também incluído na reforma administrativa.
O presidente do Sindiserv admitiu que existem muitos itens complexos. Ele criticou a administração por ter impedido que mais servidores comparecessem no plenário, sob pena de eles terem o dia de trabalho descontado. É lamentável que a administração se preste a esse papel. A prefeitura se diz tão correta. Por que não pagou o décimo terceiro em dia? Por que permitiu contratações irregulares na Comurb?, questionou. Para ele, a reforma não passa de marketing. Ela foi proposta no afogadilho, é inoportuna e casuísta.
O Sindiserv levantou furos da reforma e garante que não encontrou a alardeada economia mensal de R$ 630 mil aos cofres públicos como garante o secretário-geral Gino Azzolini Neto. Lima informou que o sindicato encontrou itens que oneram a máquina, citando a transformação de 60 divisões em 117 gerências e auditorias que causarão, se aprovadas, um acréscimo de R$ 17,7 mil na folha de pagamento. Com as atuais divisões, os gastos são de R$ 11,5 mil e subirão para R$ 29,2 mil.
Os cargos comissionados também são alvo de crítica. A prefeitura quer extinguir 18, mas cria seis. Desses 12, oito estão vagos. Então a economia é de quatro apenas, denunciou Lima. O Sindiserv também não aceita a carga de 7 horas de trabalho.
O Sindiserv também estranha o fato da prefeitura não ter incluído no projeto da reforma a extinção dos cargos vagos com a eventual adesão de servidores ao PEV. O item pode ser corrigido com uma emenda apresentada pelo vereador Célio Guergoletto. Ele acusou a prefeitura de tentar aprovar itens ilegais na reforma como a criação do PEV sem a inclusão de verba no orçamento de 98 para pagamento das indenizações. Fizeram um alarde muito grande da reforma, mas também não conseguimos encontrar a economia que a prefeitura afirma, alfinetou.


