A pedido do governo, a Câmara adiou ontem a votação da admissibilidade da reforma da Previdência, pela Comissão de Constituição e Justiça, para a quarta-feira da semana que vem. Os aliados do governo decidiram dirigir seus esforços para a votação da reforma administrativa, que aconteceria no plenário. ‘‘Se passarmos o rolo compressor aqui, poderemos contaminar o plenário na votação da reforma administrativa’’, explicou o primeiro vice-líder do PMDB, Wagner Rossi (SP), ao deputado Zaire Rezende (PMDB-MG), que desejava saber os motivos do adiamento da votação da proposta. ‘‘Se nos concentrarmos aqui na CCJ, poderemos perder a concentração lá no plenário’’, justificava-se o líder do PSDB, Aécio Neves (MG).
Os integrantes do bloco que se opõe ao governo sugeriram a transferência da votação e o governo prontamente apoiou. ‘‘Nossa intenção é ganhar tempo, o máximo de tempo possível’’, disse o deputado Marcelo Deda (PT-SE). A decisão dos dois lados acabou beneficiando o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Ele teria de decidir questão de ordem dos deputados Jarbas Lima (PPB-RS) e Nilson Gibson (PSB-PE), que argumentam ser inadmissível a parte da emenda constitucional da reforma da Previdência que permite a cobrança de contribuição de aposentados.
Há pouco mais de um ano a CCJ da Câmara considerou inconstitucional e inadmissível a taxação dos inativos. Jarbas Lima e Gibson insistem que a comissão não deve apreciar matéria vencida. Na época o PMDB votou unido a favor da rejeição da cobrança da contribuição dos aposentados, entre eles, o presidente Henrique Eduardo Alves.
Alves é agora um dos principais aliados do presidente Fernando Henrique Cardoso e a decisão que tomar poderá afetar toda a tramitação da reforma da Previdência.

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