Votação dá nova chance para a barganha
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terça-feira, 06 de maio de 1997
Agência Estado De Brasília 
A reforma administrativa é o novo trunfo dos deputados insatisfeitos com o governo para cobrarem o atendimento de seus pleitos. Na dependência de votos para conseguir manter o relatório do deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), o governo é pressionado a pagar as promessas feitas em votações anteriores e resolver pendências, em troca do apoio de deputados ou bancadas rebeldes. Pela estimativa dos líderes governistas, esta turma da turbulência oscila entre 30 e 40 deputados.
Segundo vice-presidente da Câmara, o deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE) aproveitou para dar o grito ontem e exigir a indicação de seu apadrinhado para a superintendência do Incra em Pernambuco. Não tomarei nenhuma posição enquanto o governo não resolver o problema de Pernambuco, porque para mim Pernambuco vem primeiro, desafiou ele, ameaçando votar contra o governo.
Com o endosso de toda a bancada parlamentar pernambucana e até do governador Miguel Arraes, Cavalcanti tenta emplacar o nome de Roosevelt Gonçalves de Lima para o cargo, mas esbarra na resistência do ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, que quer indicar alguém de sua confiança. Segundo o deputado, Roosevelt já ocupara o cargo e foi demitido por Jungmann por retaliação política. É que Cavalcanti havia votado contra a emenda da reeleição.
A bancada paulista do PTB também aproveita a votação da reforma para resolver uma antiga disputa em torno do cargo de delegado do Trabalho em São Paulo. O líder do partido, deputado Paulo Heslander (MG), foi avisado por liderados de que o governo perderia votos se não aceitasse a indicação do correligionário Nestor Ribeiro para o cargo. O atual delegado, Antônio Funari Filho, foi indicado por setores ligados à Igreja. Preocupado em acabar com o dilema, o líder petebista argumentou com amigos: Bispo não vota, meu Deus do céu!
Deputados mineiros do PMDB disputam com o governador tucano Eduardo Azeredo (MG) o posto de direção da Fundação Nacional de Saúde (FNS) e tentam barganhar voto para alcançar seu pleito. Enquanto isso, outros parlamentares reclamam da falta de atenção do governo e anunciam que votarão com a oposição nas votações que restam à reforma. Há muita insatisfação quanto ao tratamento do Executivo com o Parlamento, afirmou o deputado Philemon Rodrigues (PTB-MG). O governo não cumpre o que promete, é pretensioso e a partir de hoje vou votar contra, avisou.


