Brasília - Na reta final do julgamento do seu processo de cassação por quebra de decoro, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), poderá ser ajudado pela necessidade do governo em aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). As bancadas do PMDB na Câmara e no Senado se queixam da falta de empenho do governo para liberar emendas orçamentárias, repassar recursos para os governos estaduais e entregar cargos prometidos. Também se queixam do corpo mole governista na pressão sobre a bancada petista no Senado para ajudar a salvar o mandato de Renan Calheiros.
Para o governo, a pressão do PMDB não poderia ser mais complicada. Os peemedebistas têm as maiores bancadas na Câmara e no Senado e ao lado do PT formam o eixo de sustentação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro do Congresso. Se perder esses votos, o governo não conseguirá aprovar a prorrogação da CPMF, que lhe garantirá uma arrecadação de cerca de R$ 39 bilhões em 2007. Por tal razão, parte da bancada peemedebista sabe que esse é o momento adequado para tentar fazer com que o governo atenda seus pleitos.
O primeiro sinal da pressão peemedebista sobre o governo veio na quarta-feira, quando a Comissão Executiva Nacional do PMDB tentou sem sucesso fechar posição dentro do partido a favor da prorrogação da CPMF. Sem consenso, o comando do partido decidiu convocar uma reunião da bancada da Câmara para a próxima terça-feira para voltar a discutir o assunto.
No caso de Renan, os peemedebistas desconfiam que o governo pode lavar as mãos e entregar o senador à própria sorte no Senado. O resultado da votação do Conselho de Ética, onde os três senadores do PT que integram a comissão votaram pela cassação, fez com que os aliados de Renan desconfiassem que esses votos poderão ser perdidos também na sessão do plenário, na próxima semana, que definirá o destino do presidente da Casa.

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