Viúvas cobram precatórios atrasados do governo do PR
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quinta-feira, 31 de agosto de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
Um grupo de viúvas, todas pensionistas do extinto Instituto de Previdência do Estado (IPE), voltou a protestar ontem, na Boca Maldita, centro de Curitiba, exigindo do governo do Estado o pagamento de precatórios atrasados desde 1997. As integrantes do Movimento de Viúvas Credoras do IPE passaram a tarde distribuindo jornais em que denunciam o calote do governo estadual. A Procuradoria-Geral do Estado tem ordem de empurrar com a barriga o pagamento desses precatórios para o próximo governador, critica o advogado Carlos Alberto Pereira, que tem mais de 350 ações de pensionistas em fase de execução.
A Folha tentou entrevistar o procurador-geral, Joel Coimbra, mas ele estava viajando pelo interior do Estado e não foi encontrado. A reportagem da Folha ligou para o gabinete dele em Curitiba, para o celular do procurador e para o escritório que Coimbra mantém em Maringá, mas não obteve retorno dos telefonemas. O movimento das viúvas denuncia que o não-pagamento de precatórios alimentares e de indenizações de desapropriações nos últimos quatro anos já soma R$ 2,9 bilhões. Só para as viúvas, aproximadamente 800 mulheres, o governo deve, em valores atualizados, mais de R$ 100 milhões, garante Pereira.
O advogado também criticou a atuação do Judiciário e do Ministério Público que, na opinião dele, são coniventes com o Executivo. Já provei com documentos que o governo do Estado pagou precatórios fora da ordem estabelecida pela Constituição e até o Ministério Público dá parecer contrário às nossas demandas exigindo o pagamento correto dos valores devidos, reclama.
A ex-enfermeira Tereza de Quadros Machado, 60 anos de idade e há 29 anos viúva de um policial militar, afirmou que está há três anos esperando para receber o precatório a que tem direito, de mais de R$ 18 mil. Falta querer pagar. Se tem dinheiro para o governo gastar em outra coisa, por que não pagar as viúvas? Muitas delas já morreram sem receber nada, lamentou Tereza, que recebe mensalmente R$ 693,00 como pensionista do IPE.
Lizelei da Silva, 56 anos, contou que divide sua pensão com as duas filhas, o que rende R$ 245,00 para cada uma. Viúva há 14 anos, também de um PM, ela espera ansiosa pelo pagamento de R$ 7 mil. É pouco, mas é meu, reclama.


