No seu primeiro dia de trabalho como secretário da Fazenda de Alagoas, Roberto Longo pôde comprovar o drama dos servidores do Estado, que estão há oito meses, em média, sem receber. Ao inspecionar os departamentos para conhecer melhor a estrutura da pasta, deparou-se com Maria dos Santos Nunes, de 63 anos, viúva de um servidor público. ‘‘Coronel, faça alguma coisa por nós. Coloque o nosso salário em dia’’, pediu dona Maria, dizendo que se não fossem os filhos que moram em São Paulo estaria passando fome.
Com oito meses de salários atrasados, as ‘‘viúvas’’ do Instituto de Previdência e Assistência Social de Alagoas (Ipaseal) estão organizando um strip-tease coletivo para a frente do Palácio dos Martírios. ‘‘Se o dinheiro não sair vamos tirar a roupa para o governador ver como anda a nossa situação’’, prometeu Maria. Quando visitou a sala do clínico-geral Gilmar Oliveira, responsável pelo setor médico da Secretaria da Fazenda, soube que é grande o número de servidores com crises de hipertensão, motivada principalmente pelo atraso nos salários. ‘‘Brevemente sou eu que estarei precisando de socorro médico’’, brincou o secretário, que tem como missão colocar em dia os salários dos servidores públicos.
Para cumprir essa missão, o secretário precisa agilizar o ajuste fiscal, que depende da colaboração do Poder Legislativo. O governador Divaldo Suruagy (PMDB), embora com maioria na Assembléia Legislativa, tem tido dificuldade para aprovar três projetos de lei de interesse do governo federal, porque não repassou o duodécimo de maio do Legislativo. O líder do governo na Assembléia, Washington Luiz (PTB), nega boicote e promete agilizar a aprovação das matérias. ‘‘Se depender da Assembléia o ajuste fiscal será realizado, resta saber se o governo federal vai injetar recursos no Estado’’, afirmou.
A deputada Heloísa Helena (PT) disse que o governo sabe muito bem os parlamentares que tem. ‘‘Aqui quando falta dinheiro ninguém trabalha’’, afirmou Heloísa, que articula uma CPI para apurar denúncias de compra de votos dos deputados. Para ela, a ‘‘intervenção branca’’ do governo federal tem como objetivo atenuar as tensões sociais, no momento que o movimento dos servidores crescia, com ocupações do Palácio e da Assembléia Legislativa. ‘‘Esse coronel foi nomeado para a Fazenda para tentar salvar a podre e fracassada elite alagoana’’, disse, referindo-se a Roberto Longo.

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