Viúva diz que Vosniak recebeu ameaças
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A viúva de Nelson Renato Vosniak, ex-presidente do PCdoB de Reserva (98 quilômetros ao norte de Ponta Grossa), Maria Fabiane Zampieri, não tem dúvida de que o assassinato de seu marido teve motivação política. Segundo ela, Vosniak vinha recebendo ameaças de morte, por telefone, já há algum tempo, mas nunca teria as levado a sério. As ligações, disse ela, eram feitas de telefones públicos, em que o interlocutor afirmava que o político poderia morrer de uma hora para outra.
Vosniak foi morto na tarde do último domingo, depois que deixava a sede do jornal de sua propriedade ''O Regional''. O presidente da Câmara de Vereadores de Reserva, Flávio Hornung Neto (PMDB) se apresentou à polícia e assumiu a autoria do crime, mas não ficou detido. Ele alegou que agiu em legítima defesa.
Maria Fabiane acredita que o grupo político a que Hornung Neto é ligado não queria que Vosniak saísse como candidato a vereador nas próximas eleições. Mas a richa direta era entre seu marido e Hornung Neto, destacou. ''Se o Nelson fosse candidato ele seria bem votado, pois ele fazia muito pelos pobres e tinha um carinho muito grande pela população'', afirmou a viúva. Ela lembrou da votação expressiva que Vitório Vosniak, vereador pelo PT, obteve com uma semana de trabalho apoiado pelo primo, Nelson Vosniak.
Há cerca de oito meses, relatou Maria Fabiane, seu marido teria sofrido agressões físicas por parte de Hornung Neto, durante um jantar social. O fato gerou uma queixa na delegacia do município, confirmada pela polícia.
Ontem, o delegado de Reserva (98 quilômetros ao norte de Ponta Grossa), Wallace de Oliveira Brito, pediu a prisão preventiva de Hornung Neto, mas até o início da noite a Justiça ainda não havia se manifestado.
O delegado preferiu não dar detalhes do depoimento de um dos homens que estavam no carro com Vosniak no momento do crime, mas adiantou que o relato contraria a versão de legítima defesa. Brito afirmou que Vosniak tinha uma arma no veículo, mas que, em princípio, ela não teria sido manuseada pela vítima. A arma estaria escondida embaixo do banco. O carro ainda será periciado.
Brito, que assumiu a delegacia há cerca de um ano, disse que as divergências políticas entre Vosniak e Hornung Neto são de conhecimento de toda a cidade. A Folha não conseguiu contato com o advogado de Hornung.


