O grupo de ministros responsáveis pela articulação política do presidente Fernando Henrique e do Palácio do Planalto conseguiu sua primeira vitória com a aprovação do projeto de lei que estendeu a cobrança previdenciária aos servidores inativos e pensionistas da União, provando que uma atuação conjunta pode ser mais eficiente, e menos desgastante, do que a disputa pelo título de articulador político do governo. O grupo também cumpriu da melhor forma seu dever de casa, passado letra a letra pelo presidente Fernando Henrique desde o dia da posse: ‘‘Quem não garantir votos no Congresso vai embora’’.
A articulação da votação transferiu para a Câmara dos Deputados os gabinetes dos ministros das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB), dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), da Justiça, Renan Calheiros (PMDB), da Previdência, Waldeck Ornelas (PFL), e da Saúde, José Serra (PSDB). Todos eles atuaram junto aos parlamentares, em telefonemas, jantares, cafés-da-manhã e reuniões indindáveis por três dias consecutivos. O esforço valeu.
O sucesso do governo na votação do projeto dos inativos veio com o agravamento da crise econômica, argumento fartamente explorado pelos operadores políticos do governo, mas a atuação dos cinco ministros-articuladores foi considerada decisiva pelos líderes dos partidos aliados ao governo na briga para reverter os votos contrários ao projeto.
‘‘O papel dos ministros foi essencial na mobilização e aprovação da medida tão impopular’’, afirmou o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE). Para ele, se em dezembro o governo perdeu 18 votos dos governistas na votação dos inativos, na última tentativa recuperou mais da metade por conta da integração entre ministros e líderes.
Segundo Inocêncio, a votação da quarta-feira foi um ‘‘marco inaugural’’ no novo modo de articulação política do presidente Fernando Henrique em seu segundo mandato. Os bons resultados, contou o deputado, deixaram o presidente certo de que esse ‘‘conselho político’’ formado por líderes governistas e ministros mostrou ‘‘sintonia’’. ‘‘A necessidade dessa integração já se estendeu por muito tempo, quase um ano desde a morte dos articuladores maiores do Congresso e era a hora de mostrar força com essa união’’, destacou, lembrando as mortes do ex-ministro Sérgio Motta e do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA).

mockup