Vitória de Le Pen causa comoção na França
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segunda-feira, 22 de abril de 2002
Das agências 
ParisOs franceses saíram às ruas para protestar de maneira espontânea em várias cidades, domingo à noite, depois da conquista de uma vaga para o segundo turno da eleição presidencial de Jean-Marie Le Pen, de extrema-direita, que disputará a chefia do Estado com o atual mandatário, Jacques Chirac, no próximo dia 5 de maio.
Protestos em quase todo o país ocorreram quando as urnas revelaram que o líder direitista disputará a presidência no 2º turno com o conservador Jacques Chirac
A França comprovou ontem os danos causados pelo terremoto eleitoral do primeiro turno das eleições presidenciais da véspera, que eliminaram o candidato socialista, o primeiro-ministro Lionel Jospin, deixando frente à frente no segundo turno (Chirac (conservador, 19,57%) e Le Pen (extrema-direita, 17,02%).
A imprensa francesa manifestou seu horror, intitulando: Terremoto, Comoção ou Bomba. Libération (esquerda) descreveu um país desorientado e Le Figaro (direita) um profundo abismo entre a representação eleitoral e a realidade do eleitorado.
Em várias grandes cidades da França, se registraram grandes manifestações espontâneas contra Le Pen na noite de domingo. Em Paris, cerca de 10.000 pessoas se concentraram nas proximidades da Assembéia Nacional e a polícia de choque teve de lançar granadas de gás lacrimogêneo para dispersá-los.
No domingo, os franceses se dividiram em quatro grupos quase iguais: os abstencionistas, os extremistras, a esquerda plural (incluindo Jean-Pierre Chevenement) e a direita parlamentar. A taxa de abstenção (27,63) não tem precedente em uma votação presidencial. Somado esse índice aos 10,53% obtidos no total pelos três candidatos trotskistas, explica-se em boa parte o fracasso do Partido Socialista (PS), eliminado do segundo turno pela primeira vez desde 1969.
Le PenA presença histórica do extrema-direitista Jean-Marie Le Pen e de sua mensagem antieuropéia e antiimigrantista no duelo final pelo Palácio do Eliseu, mostra a rejeição do eleitorado francês a políticos que não souberam responder ao sentimento de exclusão e de insegurança. Aos 73 anos, Le Pen sente o doce sabor de uma vitória há muito tempo almejada, na qual tinha se empenhado a fundo em suas três campanhas anteriores à Presidência do Estado. Satisfeito por ter matado dois coelhos com uma cajadada, Le Pen interpretou os resultados como o fracasso de Chirac e Jospin.
Com suas novas roupas de homem sensato, temperado pelos anos e com um discurso mais moderado no qual eludiu as provocações, um exuberante Le Pen (apoiado com 17,2%, diante dos 19,67% de Chirac) incha o peito disposto a debater com o presidente-candidato Chirac onde e quando queira.
EsquerdaDepois de sua derrota no primeiro turno das eleições presidenciais, a esquerda terá que apoiar o neogaulês Jacques Chirac para frear o ultradireitista Jean-Marie Le Pen na reta final, ao mesmo tempo que procura se reconstruir em face às eleições legislativas.


