Curitiba - Com a vitória de Beto Richa (PSDB) à prefeitura de Curitiba, permanece no poder municipal parte do grupo ligado ao ex-governador Jaime Lerner (PSB) adversário político de Roberto Requião (PMDB). Sai fortelecido também o PSDB do Paraná, que tem o senador Alvaro Dias como cotado para disputar as eleições de 2006. No entanto, muitas articulações e acomodações vão acontecer até lá, até porque o irmão de Alvaro, o também senador Osmar Dias (PDT), apóia Beto e é outro possível candidato à sucessão estadual.
O grupo de Jaime Lerner detém o poder na Prefeitura de Curitiba há quatro gestões, o que soma 16 anos. Depois de Lerner, foi prefeito da cidade Rafael Greca (ex-PFL, hoje PMDB). O atual prefeito, Cassio Taniguchi (PFL), sucessor de Greca, termina em dezembro seu segundo mandato.
Apesar de Beto, eleito vice-prefeito da chapa de Cassio, ter pautado sua campanha pelo distanciamento do atual prefeito, afilhado político de Lerner, várias pessoas ligadas ao ex-governador permanecem ao lado de Beto.
Cila Schulmann, ex-secretária da Comunicação Social de Lerner, por exemplo, prestou assessoria para a campanha de Beto em 2002 (para o governo) e para a campanha deste ano. Outro ex-secretário da Comunicação Social de Lerner que integrou o comitê de Beto é o jornalista Deonilson Roldo. Lerner, no entanto, não se envolveu abertamente com a campanha. Foi à convenção que bateu o martelo na candidatura de Beto, mas o ex-governador tem se dedicado mesmo à sua profissão: arquiteto e urbanista. Como presidente da União Internacional dos Arquitetos (UIA), Lerner tem dado várias palestras no exterior.
O fato de um grupo adversário do governo Requião ter conquistado o poder na Capital enfraquece, em tese, o grupo do governador para as eleições de 2006, que não terá um aliado no maior colégio eleitoral do Estado. Nos próximos dois anos, o PMDB e seus aliados terão que se organizar em todo o Estado, com vistas à eleição de 2006.
O prefeito eleito não deverá encontrar dificuldade para consolidar maioria na Câmara Municipal. A bancada do PSDB terá quatro dos 38 vereadores, a partir de janeiro do ano que vem. Mas Beto contará com vereadores do PP (três), PSB (três), PDT (três) entre outros. A maior redução aconteceu na bancada do PT, que caiu de seis para três. A queda aconteceu, em parte, por causa da coligação com o PMDB e o PTB na eleição proporcional. Já o número de cadeiras do PPS cresceu de um para quatro vereadores. Foi o partido que mais aumentou sua participação no Poder Legislativo de Curitiba. O PPS assumiu uma postura de neutralidade no segundo turno.

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