Vitória dá sobrevida a governador
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domingo, 29 de outubro de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
A vitória apertada de Cassio Taniguchi em Curitiba deu uma sobrevida política ao grupo do governador Jaime Lerner (foto) no Paraná. Com uma crescente queda de popularidade, motivada pelo desgaste natural de um segundo mandato e por uma série de escândalos e denúncias de corrupção envolvendo o governo estadual, a eleição em Curitiba foi considerada a jóia da coroa do lernerismo.
A reeleição de Cassio tem a capacidade de reverter parcialmente o declínio do lernerismo. Mas, mesmo com a vitória, o governador sai desse processo gravemente desprestigiado, avalia o historiador, cientista político e sociólogo Dennison de Oliveira. Autor do livro Curitiba e o Mito da Cidade Modelo, que critica a imagem da cidade, criada principalmente nos 12 anos de domínio do grupo de Lerner na prefeitura da capital paranaense, Oliveira é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Na avaliação do estudioso, apesar da vitória em Curitiba, o projeto presidencial de Lerner, alimentado ao longo dos últimos anos, está seriamente comprometido. O governador já estudava uma eventual chapa com a governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Neste caso, ele seria candidato a vice.
Reeleito, Cassio pode não ser um aliado tão atrelado a Lerner no segundo mandato quanto foi no primeiro. Já durante a campanha do segundo turno, ele procurou manter o governador longe de seus programas no rádio e TV, tentando evitar a contaminação pela baixa popularidade de Lerner. Chegou a pedir aos eleitores que deixassem a avaliação do governo estadual para 2002 e que agora fosse discutida apenas a administração municipal.
Ontem, pouco depois da divulgação do resultado, Cassio afirmou que, com sua vitória, Lerner sai fortalecido do segundo turno. A Região Metropolitana (de Curitiba) concentra um terço do eleitorado paranaense. Vou trabalhar (no segundo mandato) para fortalecê-lo (Lerner) cada vez mais, afirmou o prefeito. Em 1996, Cassio, praticamente desconhecido do eleitorado curitibano, só se elegeu graças ao apoio maciço do governador, de quem era secretário de Planejamento.
Mesmo derrotado em Curitiba, o PT pode se considerar o grande vencedor do pleito deste ano no Paraná. Elegeu dez prefeitos, contra seis em 1996. Seu grande avanço, no entanto, está na representatividade eleitoral. Com a conquista de Londrina e Maringá, ontem; e de Ponta Grossa, no primeiro turno respectivamente a segunda, terceira e quarta maiores cidades paranaenses, abocanhou este ano 12,5% do eleitorado paranaense. Atualmente, a maior cidade governada pelo PT é União da Vitória.
Ao lado do PT, o PPS (antigo Partido Comunista Brasileiro) conseguiu um crescimento surpreendente no Estado. Apoiado no presidenciável Ciro Gomes, seu principal líder nacional, o PPS elegeu 15 prefeitos este ano não havia feito nenhum em 96. Além disso, tem o vice-prefeito de Londrina, Luiz Carlos Bracarense.
Para o professor Oliveira, o crescimento do PT dá ao partido viabilidade eleitoral para lançar candidato próprio em 2002, com chances de vitória.


