O ex-preso político Ildeu Manso Vieira, 70 anos, diz que a Secretaria de Estado da Justiça recebeu neste mês três requerimentos pedindo o cumprimento da lei que prevê o pagamento de indenizações às vítimas do regime militar. ‘‘E no mês que vem, quando o governador estiver despachando em Maringá, temos uma audiência marcada para cobrar dele o cumprimento da lei’’, diz Ildeu, que tem sequelas físicas e psicológicas decorrentes do período de três anos em que permaneceu preso. ‘‘Todos nós, torturados, somos portadores de sequelas irreversíveis. Apesar de modesta, a lei é sábia e justa e representa uma das maneiras de resgatar a cidadania e reparar o prejuízo’’, explica.
Ildeu reconhece que tem uma saúde precária - ‘ganhou’ uma úlcera que já lhe rendeu oito hemorragias, está surdo do ouvido direito depois que teve o tímpano perfurado por causa das torturas, tem pedras nos rins, é diabético e hipertenso. ‘‘Fui um dos únicos a não ter a prisão preventiva quebrada’’, relembra, com tristeza, dos três anos ininterruptos nos quais ficou preso por ser militante do PCB.
Hoje residente em Mandaguari (33 quilômetros a leste de Maringá), Ildeu Manso Vieira está preparando para agosto um encontro na Universidade Estadual de Maringá que reunirá ex-presos políticos de todo o Estado. ‘‘Será um encontro para homenageá-los, mas também para debates’’, explica. O encontro terá patrocínio do Centro Acadêmico Sobral Pinto, do curso de Direito, com apoio da Associação Brasileira de Anistiados Políticos (Abap) e do grupo Tortura Nunca Mais, do Paraná. (P.Z.)

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