VISITA DO PRESIDENTE - Público enfrentou frio, seguranças e atraso na agenda
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de abril de 2003
Chiara Papali<BR>Reportagem Local 
Ver, tocar, cumprimentar ou fazer reivindicações - cada um teve seu motivo para se aproximar, ou pelo menos tentar chegar perto, do presidente Lula em sua visita, ontem, à Londrina. E o presidente não decepcionou, durante a visita a 43 Exposição Agropecuária e Industrial manteve a tradição de quebrar o protocolo de segurança - ao descer do carro para se dirigir ao palanque, onde fez um pronunciamento no Parque de Exposições Ney Braga, se aproximou do público que o aguardava e cumprimentou algumas pessoas. Com um jornalista, que estava entre essas pessoas, comentou que a visita à Via Rural (Fazendinha) ''foi uma aula'' e que gostou do que viu.
Apesar do atraso de quase três horas e do frio, a maioria não esmoreceu e esperou pelo discurso do presidente. O público ansioso vaiou o governador Roberto Requião (PMDB), antes que ele iniciasse seu discurso, e o aplaudiu depois que ele anunciou que só iria dar as boas vindas e passar imediatamente o microfone para o presidente. Lula iniciou o discurso pedindo aos ''amigos e amigas de Londrina'' que tivessem mais um pouco de ''uma espécie de paciência chinesa'' por aguardá-lo durante tantas horas.
Paciência foi mesmo um dos ítens mais necessários para aguardar o presidente, tanto para quem foi ao Parque de Exposições, quanto para quem tentou vê-lo no Hotel Crystal, onde ele almoçou com políticos e ficou descansando por cerca de duas horas. Uma das ''sortudas'' que conseguiu chegar até o presidente foi a imobiliarista Nair Tartari, de Londrina. Ela ''driblou'' a segurança do presidente e do hotel. Entrou conversando com alguns políticos, e conseguiu chegar ao restaurante, onde Lula almoçava.
O objetivo de Nair era entregar ao presidente uma cópia de um projeto preventivo de segurança pública que ela mesma elaborou. ''Ele me abraçou, me deu um beijo e falou que é desse tipo de iniciativa que o País precisa, depois disse que iria ler o projeto no avião'', contou. Nair disse que desceu as escadas do restaurante ''tremendo de emoção''. ''Foi uma glória conseguir isso'', disse.
A tietagem foi explícita em frente ao hotel. ''Saí do serviço só para ver o Lula, e consegui, fiquei muito feliz'', disse a vendedora Mara Regina da Silva, de 27 anos, acompanhada de outra vendedora, Ana Lúcia de Lima, de 17 anos. As duas, assim como dezenas de pessoas, conseguiram ver o presidente através da parede de vidro do hotel e ficaram satisfeitas com os acenos de Lula.
A dona de casa Aurora Sabino da Silva, de 63 anos, pretendia ''curar'' a bursite do presidente, mas não conseguiu convencer o policial a deixá-la chegar perto de Lula. ''É só eu encostar a mão nele e mentalizar Jesus para curá-lo dessa doença que os médicos não estão conseguindo curar. Mas, um dia eu consigo o telefone dele e falo com ele'', disse.
Curioso, o carroceiro Haroldo Lemes, de 55 anos, parou para saber o que estava acontecendo em frente ao hotel. ''Parei para ver se consigo ver o 'homem', já o vi várias vezes, desde o tempo que tinha barba preta'', brincou, mas não teve paciência de esperar Lula sair do hotel. Quem esperou pôde vê-lo acenando antes de entrar no carro.
A praça em frente ao hotel também foi palco para reivindicações. Munidos de faixas, funcionários de um bingo que funciona na Rua Quintino se mobilizaram e protestaram contra a anulação das resoluções que regularizavam a atividade. A decisão do governador sobre os bingos foi publicada anteontem no Diário Oficial. Até mesmo uma associação da terceira idade participou do protesto. ''Estou defendendo os funcionários, que precisam trabalhar, e o bingo é uma das nossas únicas opções de lazer'', disse a aposentada Abla Arbid, de 62 anos.
Munida de máquina fotográfica, a professora Eva Maria de Andrade, de 40 anos, levou os filhos ao Parque de Exposições para ver o presidente. ''Vale a pena esperar, é uma oportunidade única e vai fazer parte da história deles (dos filhos)'', afirmou. Também animado com a oportunidade de ver o presidente, o engenheiro agrônomo Ademir Iacono subiu numa cerca e tentou acompanhar a visita com binóculos. ''Minha esposa está trabalhando lá dentro (na Fazendinha) e eu estou vigiando para ver se o presidente não vai abraçar ela'', brincou.
Menos animada, a artista plástica Maria Aparecida de Souza Itow, de 38 anos, só aguardava o término da visita do presidente na Fazendinha para que ela pudesse conhecer o local. ''Não vim para ver o Lula, mas agora tenho que esperar'', disse. O metalúrgico Jurandir Mendes de Lima, de 32 anos, e sua esposa, Rosana Teresinha da Silva Lima, de 31 anos, não esperaram pelo discurso do presidente. ''Está demorando demais, estamos aqui há três horas'', reclamaram.


