O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou ontem, na 43 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, um acréscimo de 20% nos valores destinados pelo Banco do Brasil ao crédito agrícola, para a safra 2003/2004.
''Para demonstrar ao pequeno produtor e ao grande produtor, que ninguém vai se arrepender de ter acreditado no Brasil, na agricultura'', justificou o presidente. Este ano, a expectativa é que o Banco do Brasil libere R$ 15 bilhões em créditos agrícolas. Até agora já foram liberados R$ 13 bilhões, dos quais R$ 2,8 bilhões para o Paraná. Com o acréscimo anunciado para a próxima safra, o valor sobe para R$ 18 bilhões.
Sem a primeira-dama, Marisa Letícia, que estava sendo aguardada pela organização da feira, mas decidiu na última hora permanecer em Brasília, Lula veio a Londrina acompanhado dos ministros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e da Segurança Alimentar, José Graziano, além de diversos secretários federais, do governador Roberto Requião (PMDB), do vice-governador, Orlando Pessuti (PMDB) e diversos deputados. O prefeito Nedson Micheleti (PT) e diversos vereadores também acompanharam a comitiva presidencial.
Durante o discurso, Lula pediu uma ''espécie de paciência chinesa'' à população, que espera mudanças na administração do País. ''Estamos com 100 dias de governo. Não tenham dúvidas que o governo que montarmos, no final do mandato vai mostrar que se o Brasil tivesse sido administrado de maneira mais justa e correta, se tivessem acreditado, o Brasil seria infinitamente melhor'', prometeu. ''Não adianta os apressados quererem a fruta antes da árvore nascer. Os que tentaram, quebraram a cara. Estamos plantando a nossa árvore'', disse o presidente, em defesa às críticas de morosidade que seu governo vem sofrendo.
Em seu discurso, em um palanque montado na pista central do parque de exposições, Lula também fez um balanço dos seu governo até agora. ''Gostaria de lembrar que há 100 dias, o Risco Brasil estava em 2,4 mil pontos, que em setembro do ano passado, o Brasil não tinha um centavo de crédito e a inflação vinha subindo. Estamos fazendo um trabalho para recuperar a credibilidade. Precisamos despertar a sociedade e dependemos muito mais de confiança do que apoio estratégico para sair da situação que nos encontramos.''
Inicialmente, a visita de Lula à exposição estava agendada para começar às 15h20, mas conforme Requião, um atraso no almoço, no Hotel Crystal, fez com que o início da visita atrasasse em mais de uma hora.
No Parque de Exposições Ney Braga, o presidente e sua comitiva, com quase 30 pessoas, seguiram direto, em um microônibus, para a Via Rural, conhecida como Fazendinha, que congrega 29 estandes de projetos de fomento a pequenas criações e tecnologia no campo.
Na entrada da Via Rural, dezenas de pessoas aguardavam a chegada do presidente. Ao descer do microônibus, Lula retribuiu a espera acenando para a população, separada da comitiva por um cordão de isolamento.
''O presidente está empolgado com a pujança da agricultura no Estado. O Paraná é a quinta economia do Brasil'', disse o governador durante o passeio.
A equipe de precursores da comitiva presidencial estimou a visita à Via Rural em 45 minutos, mas o interesse de Lula, que conversou com cada expositor, fez o passeio durar mais de duas horas. Ao sair da Via Rural, o presidente quebrou o protocolo, e cumprimentou e abraçou dezenas de populares que o aguardavam.
Devido os atrasos, o presidente não pôde acompanhar a apresentação da Esquadrilha da Fumaça, mas acompanhou o desfile de animais premiados na feira e recebeu a doação simbólica do Banco do Brasil ao Programa Fome Zero, de 139 toneladas de alimentos arrecadados durante o Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia, realizado em Londrina no mês passado.

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