Visita de Oviedo causa mal-estar na AL
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de março de 2003
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A presença do ex-general paraguaio Lino Oviedo ontem à tarde gerou mal-estar no plenário da Assembléia Legislativa. Oviedo falou na tribuna reservada aos deputados governistas, a convite do primeiro vice-presidente da Casa, Natálio Stica (PT), que já homenageou o ex-general durante seu mandato como vereador em Curitiba. Refugiado no Brasil, Oviedo é acusado pelo governo do Paraguai de liderar os protestos que culminaram com o estado de sítio no país vizinho, no ano passado, e de tentar dar um golpe. Na tribuna, Oviedo defendeu-se das acusações que pesam contra ele.
''Não se justifica a presença dele aqui. Ele está exilado no Brasil, e por isso não deveria participar de discussões políticas. A mesa executiva da Assembléia tinha que observar isso'', protestou o deputado José Maria Ferreira (PDT), o único que criticou abertamente, em entrevista à Folha, a presença de Oviedo na Casa.
Stica disse que o ex-general ''fez uma visita'' à Assembléia, e por isso foi convidado a fazer a falar no plenário. ''Eu e o líder do governo (Angelo Vanhoni, também do PT) convidamos o general para falar, já que ele está proibido de participar das eleições. Acho que a Justiça paraguaia deveria deixá-lo concorrer'', declarou Stica. O primeiro vice não considerou problemático o convite, que melindrou outros deputados.
Sem querer se identificar, pelo menos outros três deputados disseram discordar do convite feito ao ex-general pela direção da Casa. '''É complicado (a visita dele)'', afirmou um deles.


