Visita de Obama será marcada por disputa comercial
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de março de 2011
Lisandra Paraguassu, Tânia Monteiro e Vera Rosa <br> Agência Estado 
Brasília - Em meio a muitos protocolos de intenções e acordos com promessas de cooperação, a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que começa hoje, em Brasília, vai ser marcada por uma verdadeira queda de braço comercial com a presidente Dilma Rousseff. Confessadamente, Obama vem ao Brasil com um único objetivo: aumentar as exportações. Dilma, concretamente, dirá que quer vender mais e quer desbastar o megadéficit comercial, que hoje chega a US$ 7,7 bilhões.
Na avaliação de diplomatas, mesmo que as negociações não redundem em acordos concretos, a visita de Obama tem um efeito colateral de valor incalculável: o marketing em favor do Rio de Janeiro como uma cidade segura o suficiente para o homem mais visado do mundo passear com a família. Sede das Olimpíadas de 2016 e uma das cidades da Copa do Mundo de 2014, o Rio foi intensamente criticado por conta dos problemas de segurança. Nos EUA, onde Chicago perdeu a candidatura da Olimpíada para o Brasil, essa foi uma das maiores críticas.
Obama deve visitar o Corcovado e a Cidade de Deus, além de discursar no Teatro Municipal, no centro do Rio. Apesar do intenso aparato de segurança, a imagem que ficará, acreditam os diplomatas, é a do presidente americano e família apreciando o Cristo Redentor. Cerca de 800 homens, entre militares do Exército brasileiro e policiais federais, militares e civis, além de integrantes da Guarda Municipal, serão empregados na segurança de Barack Obama no Rio.
'Razão da viagem'
Fora dos ganhos de marketing para o Rio, um assessor da Presidência resumiu ontem o ponto da preocupação de Dilma nas conversas com o chefe da Casa Branca: ''A presidente vai conversar com Obama sobre comércio, e não apenas sobre parcerias estratégicas''.
Obama assinou anteontem um artigo no jornal USA Today em que deixa bem clara a missão da viagem pelo Brasil e outros países da América Latina: aumentar as exportações e arrumar mais empregos na indústria dos EUA para os norte-americanos.
''Nós precisamos continuar brigando por cada novo emprego, cada nova indústria, cada novo mercado no século 21. Essa é uma das razões para a minha viagem à América Latina nesta semana - reforçar nossa relação econômica com vizinhos que terão um papel crescente no nosso futuro econômico'', escreveu o presidente americano.
Sobre o Brasil, Obama destaca a população de quase 200 milhões de pessoas, o crescimento de mais de 7%, um aumento consistente da classe média, mas comete um erro: destaca que os EUA são o país de onde o Brasil mais importa, o que já não é mais verdade. Atualmente a China ocupa esse posto.
Para Dilma, a visita de Obama vai muito além de um gesto político. Ela costuma dizer que os EUA precisam olhar o Brasil de forma diferente e apresentará a Obama uma ''janela de oportunidades''.


