Visita à Volks emociona Lula
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sexta-feira, 19 de julho de 2002
Gustavo Henrique Ruffo<br>Agência Folha 
São Paulo - Logo no início do comício que realizou ontem para metalúrgicos da Volkswagen, em São Bernardo (Grande ABC), o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se emocionou com a visita à fábrica e chegou até mesmo a chorar.
''Minha cabeça começou a girar e voltei a 75, a 78, e lembrei como era difícil entrar na fábrica. Nós tínhamos que esconder os boletins (do sindicato) nas meias e dentro da roupa para poder entrar'', recordou Lula, se referindo ao início de sua militância sindical.
Depois de se recuperar, Lula disse aos trabalhadores que pretende apostar na geração de empregos e no diálogo, questões que, segundo ele, foram deixadas em segundo plano pelo governo Fernando Henrique Cardoso.
''Em 94, nós dissemos que criaríamos oito milhões de empregos. Fernando Henrique disse que criaria 12 milhões, e gerou 12 milhões de desempregados. Acho que ele entendeu mal nossa proposta'', ironizou.
Ele não fixou um meta de empregos para um eventual governo, mas disse que pretende estimular o crescimento da economia brasileira com a restituição das câmaras setoriais e criação de cooperativas de trabalhadores.
Conversando com jornalistas, Lula evitou responder sobre atitudes que tomaria se fosse presidente. ''Não farei como ele (FHC), que se sentou na cadeira antes da hora e perdeu as eleições para prefeito de São Paulo'', disse Lula em referência a eleição de 86, que Fernando Henrique perdeu para Jânio Quadros.
''Vou repetir o que já tinha dito a vocês: até 31 de dezembro de 2002 à meia-noite o presidente é Fernando Henrique Cardoso. Ainda não ganhamos nada. Só depois de ganhar vamos discutir o que faremos'', disse.


