Visita a Soweto emociona FHC
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quinta-feira, 28 de novembro de 1996
Agência Estado, 
O encontro com o líder político sul-africano Walter Sisulo, herói da luta contra o governo racista da África do Sul, emocionou o presidente Fernando Henrique Cardoso, primeiro chefe de Estado estrangeiro a visitar Sisulo. Foi o dia mais emocionante desde que assumi a Presidência da República, disse Cardoso ao deixar ontem a casa do líder, no subúrbio de Soweto, imediações de Joannesburgo.
A primeira-dama Ruth Cardoso chorou ao cumprimentar Sisulo, que está com 86 anos. Aceitei o convite para visitar a casa deste grande líder como uma homenagem à irmandade entre o Brasil e a África do Sul, disse Fernando Henrique. Sisulo passou, como Mandela, 27 anos na prisão, e exerce sobre o presidente sul-africano uma grande influência. O subúrbio de Soweto, núcleo da resistência popular contra o governo de minoria branca, tem cerca de três milhões de habitantes. Fernando Henrique e comitiva visitaram o monumento em homenagem ao jovem Hector Paterson, 12 anos, morto a tiros durante um protesto no dia 16 de junho de 1976.
Ao lado da mãe de Hector, Dorothy Paterson, o presidente brasileiro depositou uma coroa de flores na base do monumento, cercado por centenas de mulheres, homens e crianças negras. Lenir Lampreia, mulher do ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, chorou. Um menino da idade de Hector Paterson colocou um cachecol de tricô nas cores verde e amarelo no pescoço de Fernando Henrique.
Um grupo de crianças cantou uma música em homenagem ao presidente brasileiro. Bem vindo senhor presidente, nós o amamos, nós o amamos, porque o senhor veio aqui, vamos pegar os nossos carrinhos, viajar neles, tomar um trem, e chegar com você ao Brasil, dizia a canção no idioma Zulu. É um sonho deles e um sonho também nosso de uma maior aproximação entre os dois povos, que têm muitas coisas em comum, disse Fernando Henrique.
O presidente defendeu uma maior integração entre o Mercosul e a África do Sul. Tratemos de dar vida e expressão concreta ao imenso potencial existente entre nossos países, afirmou.
Falando para uma platéia de acadêmicos e representantes da sociedade sul-africana sobre o tema Globalização e Política Internacional, na Universidade de Witwatersrand, Fernando Henrique observou que a inserção da economia dos dois países nos processos de globalização tem de obedecer a um ritmo compatível com a necessidade de modernizar nossas estruturas produtivas.


