A Secretaria Municipal de Obras informou oficialmente, na quinta-feira, a Procuradoria do Município de que a empresa Visatec, responsável pela construção do viaduto da avenida Ayrton Senna, no cruzamento com a PR-445, tinha conhecimento oficial da existência da adutora da Sanepar que rompeu-se durante as obras. O viaduto, que tem custo de R$ 4,07 milhões, deveria ter sido finalizado em 31 de março, mas, de acordo com a Prefeitura, apenas 13% das obras foram realizadas.
No início de abril, a Visatec foi autuada e multada em R$ 800 mil. Segundo a Procuradoria do Município, a empresa recorreu da multa alegando que desconhecia a existência da adutora - o rompimento teria sido a causa da interrupção dos trabalhos. A Visatec também alega que houve um volume extra de chuvas nos 12 meses previstos para o serviço, o que ajudaria a justificar os atrasos. Na última quinta-feira, a procuradoria consultou a Secretaria de Obras sobre a procedência das explicações da empresa.
O secretário de Obras, Junker Grassioto, adiantou ontem que o projeto de construção anexo ao edital de licitação indicava a necessidade de se realizar um ''reforço para que a adutora pudesse ficar sob o aterro''. ''Isso foi colocado desde a época da licitação e a empresa não pode alegar desconhecimento do projeto.'' Além disso, Grassioto contesta a informação de que as chuvas em 2008 justificariam os atrasos. ''Os prédios construídos pela iniciativa privada estão sendo entregues até com adiantamento'', comparou.
Segundo o secretário de Obras, a existência da adutora não justifica a interrupção da construção do aterro para elevação das vias da PR-445 e do viaduto da Ayrton Senna. ''A obra poderia ser tocada até 80%, inclusive com liberação do tráfego na PR (445). Só no final a adutora impediria a conclusão das pistas da Ayrton Senna. Então, por que eles pararam do jeito que está?'', questionou.
O procurador do Município, Nilso Paulo da Silva, disse que ainda não recebeu oficialmente a resposta da Secretaria de Obras. ''Se vier a confirmação de que a empresa tinha ciência da adutora, reforçará a aplicação da multa.'' Neste caso, o município poderá até romper o contrato com a empresa e abrir uma nova licitação.
Em declarações ontem à FOLHA, o proprietário da Visatec, Faiçal Janani, criticou duramente a atuação do município. ''Isso foi um ato de irresponsabilidade. Nós tivemos 121 dias de chuva durante as obras e qualquer engenheiro sabe que isso atrapalha o serviço'', alegou. Faiçal também afirmou que, quanto à adutora, o projeto foi seguido à risca. ''O reforço projetado foi executado. Como não havia um bom aterro sob a adutora, ela se rompeu. A gente fez o alerta, mas não houve providência. Isso deve ser resolvido pela Prefeitura. Nós não fizemos o projeto'', disse.
Segundo informações da estação meteorológica do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), as chuvas registradas nos 12 meses de obras ficou menos de 1% acima da média histórica para o mesmo período.

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