Virgílio quer vetar senador com ficha suja
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Folhapress 
Brasília - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), encaminhou ontem projeto de resolução à Mesa Diretora da Casa que proíbe a eleição de senadores para o Conselho de Ética que respondam a processos judiciais, em qualquer instância, por crimes contra o patrimônio, a administração e as finanças públicas. O tucano argumenta que os integrantes do conselho devem ter lisura ética para julgarem os colegas.
É imperioso que os membros do conselho, titulares ou suplentes, tenham a isenção necessária para avaliar a conduta ética de seus pares. O projeto dá transparência e segurança às ações do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, bem como transmite para a sociedade um padrão de isenção quanto ao julgamento dos seus representantes legitimamente eleitos, afirmou.
Atualmente, não há restrições para a indicação de parlamentares ao Conselho de Ética. As vagas são divididas de acordo com o tamanho das bancadas partidárias na Casa. Cada líder de partido com assento no colegiado indica os seus representantes.
O projeto de Virgílio foi motivado pela crise política que atinge o Senado há mais de três meses. A oposição ficou irritada com a escolha de dois aliados do presidente da Casa, José Sarney
(PMDB-AP), para a presidência e a vice-presidência do colegiado - os senadores Paulo Duque
(PMDB-RJ) e Gim Argello (PTB-DF). Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta semana mostra que um terço dos senadores brasileiros é alvo de inquéritos, ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) ou acusações de irregularidades eleitorais ou cíveis. Segundo a reportagem, dados de diversos tribunais do país apontam que 27 dos 81 senadores do país enfrentam algum caso na Justiça.
Alvo
O PMDB recorreu ontem do arquivamento da representação que o partido apresentou ao Conselho de Ética contra Virgílio. O documento foi arquivado anteontem pelo presidente do conselho, senador Paulo Duque
(PMDB-RJ). Importa considerar que todas as imputações são muito graves e, uma vez confessadas pelo representado, a representação necessita ser registrada, diz o recurso.
O documento é assinado por cinco senadores: Almeida Lima (PMDB-ES), Wellington Salgado (PMDB-MG), Gilvam Borges (PMDB-AP), Gim Argelo (PTB-DF) e Inácio Arruda (PCdoB-CE).
Virgílio é acusado na representação do PMDB de manter em seu gabinete um funcionário fantasma, de pedir empréstimo a um ex-diretor do Senado para pagar despesas pessoais e de ter usado indevidamente o plano de saúde do Senado para tratamento da mãe (já falecida).
No despacho que pede arquivamento da representação contra o tucano, Paulo Duque diz: Não pode este conselho ser instrumento de ação político-partidária nem substituir o eleitor em sua decisão soberana como titular do poder. Esse foi o mesmo argumento que Duque utilizou para arquivar 11 ações apresentadas ao conselho contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). (Com Agência Estado)


